Hiatus

tempo

Olá, leitores!

Senti a necessidade de conversar com vocês sobre as razões que me fizeram desaparecer do mapa nas últimas semanas.

Após uma ressaca literária terrível, meu ritmo de leitura desandou completamente e fez com que eu atrasasse a produção de resenhas da maneira que eu estava acostumado. Cheguei a escrever outras, porém não consegui sentir a mesma qualidade.

Vejo as visitas diárias ao blog crescendo, mesmo após semanas de inatividade. Isso me deixa alegre, pois sei que as resenhas que foram feitas anteriormente estão chegando a novos públicos; mas também fico um pouco desapontado pois essa seria a hora ideal para investir tempo e esforço no GATILHO.

Para evitar a perda de qualidade nos textos, parei a produção e estou focando nas minhas leituras individuais (sempre fazendo anotações para quando eu voltar a escrever, claro). Como eu falei no Blogaholic #10,

Blogar é um hobby, então quando passa a ser uma obrigação que te deixa cansado, talvez seja hora de rever o que você vem produzindo e considerar focar em outras coisas — mesmo que temporariamente.

O trabalho de manter um blog pode se tornar bem irritante, se você sentir que está fazendo isso por qualquer motivo que não seja o que te levou inicialmente a criar este projeto.

Ainda estou tentando convocar uma equipe de autores que queiram ter colunas semanais/quinzenais/mensais, mas até o momento não obtive sucesso. Se você quiser fazer parte do GATILHO, entra em contato comigo e nós podemos conversar.

Voltarei em breve com as resenhas e séries de posts, mas, por enquanto, preciso de um tempo para reorganizar as ideias.

Até o próximo post 🙂

 

 

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Resenha: “Pá de Cal” de Gustavo Ávila

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Título: Pá de Cal
Autor: Gustavo Ávila
Editora: publicação independente
Ano: 2015

Quem acompanha o GATILHO há algum tempo, sabe que eu já resenhei uma obra do Gustavo Ávila chamada “O Sorriso da Hiena”. Foi uma das leituras mais legais que fiz nos últimos anos, muitíssimo divertida e curiosa. O que ninguém sabe é que bem antes de comprar minha edição do “Sorriso”, eu já tinha adquirido “Pá de Cal” na Amazon. Por algum motivo, comecei a ler a novela e abandonei pouco tempo depois.

Retomei a leitura e qual não foi a minha surpresa ao encontrar mais um ótimo texto de Gustavo Ávila. Claro que eu não podia deixar de indicar aqui no blog, né?

A atenção da garota voltou para si mesma quando sentiu um toque em seu braço. Uma mão plastificada esfregava um pedaço de algodão na dobra interna do seu cotovelo. Sentiu leves batidinhas na pele. A pessoa procurava sua veia. Logo em seguida, uma picada. Demorada e profunda. Viu a ampola da seringa sugar seu sangue e se misturar ao líquido do seu interior, para depois ver toda a substância ser injetada lentamente no seu corpo. Sentiu uma faixa de couro sendo enrolada na cabeça com algo frio pressionando suas têmporas. Mesmo sob o efeito da droga, tentou esboçar uma palavra, mas os músculos respondiam com lentidão. Um mordedor foi enfiado dentro da boca. O desconhecido que aplicara a injeção se afastou com dois passos para trás e, um segundo depois, sentiu a corrente elétrica percorrendo seu corpo.

Meus destaques:

  • Os personagens são tratados como números (1, 2, 3…). Isso pode tornar a leitura confusa algumas vezes. Eu interpretei isso como algo proposital, já que a intenção da história é, inicialmente, causar confusão.
  • A edição do livro é independente. Isso nem sempre quer dizer que terá erros, mas infelizmente nesse caso podemos observar alguns (poucos) deslizes da revisão. Não é nada que prejudique o entendimento, mas achei válido pontuar. Tem gente que se importa com isso bem mais do que eu.
  • As cenas de ação são bem escritas e muito descritivas. É quase como imaginar uma cena de filme (curiosamente eu fiz um elogio muito parecido na resenha de “O Sorriso da Hiena”; começo a notar um ótimo padrão na escrita do autor).
  • A ambientação do livro é bem interessante. Lembra cenas de filmes de ficção científica futurista. É um pouco abstrato pensar em um mundo inteiramente branco, mas as descrições de ambiente que o autor realiza são bem inteligentes.
  • Entendi o conto (ou novela?) como uma crítica a nossa necessidade de dormência emocional. Uma reflexão interessante pra saber a razão de procuramos tantas distrações o tempo todo, para nos livrarmos momentaneamente de momentos ruins. Eventualmente esquecendo a nossa identidade.

Vale a pena comprar? Por ser muito barato, definitivamente vale a pena fazer essa leitura. Pode se tornar um pouco confuso em muitos momentos, mas é uma leitura que tem uma resolução interessante – pelo menos na minha opinião.


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Resenha: “Mentes Perigosas” de Ana Beatriz Barbosa Silva

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Título: Mentes Perigosas
Autora: Ana Beatriz Barbosa Silva
Editora: Fontanar
Ano: 2008

Sempre fui fascinado por assuntos relacionados à mente humana, portanto, quando finalmente tive a oportunidade de pegar emprestado uma edição de “Mentes Perigosas”, o fiz de imediato. A capa (e toda a coleção de livros da autora) sempre me pareceram interessantes por trazer para a lista de mais vendidos um livro que tratasse de assuntos dessa área. Aqui estão algumas observações que fiz durante a leitura.

Embora se mostre muito distante da perfeição, a natureza humana apresenta-se muito mais governada por um senso de responsabilidade e interconectividade. Dessa forma, os horrores a que assistimos na televisão ou, às vezes, em nossas próprias vidas, em hipótese nenhuma refletem a humanidade típica.

Meus destaques:

  •  No começo do livro temos a impressão que a autora é um pouco maniqueísta, mas eventualmente ela explora os conceitos de “bom” e “mal”, tornando mais plausíveis os argumentos dela.
  • A autora alterna entre explicações técnicas (seja no âmbito da psicologia ou do direito) e histórias que ilustram o seu ponto. Acredito que por isso, tenha se tornado um livro tão popular.
  • Por vezes, o livro beira o sensacionalismo ao criar um “pânico” sobre o assunto. Até o próprio subtítulo deixa isso claro. É importante ativar o senso crítico durante a leitura.
  • A parte que eu mais esperei, os casos reais e famosos, não decepcionou. Bem informativo e bem narrado.
  • Um ponto interessante que é tratado no livro é quando ele fala das implicações sociais que a psicopatia pode causar, como guerras, por exemplo.
  • O final do livro me parece mais uma compilação de opiniões coletivistas e moralistas. Discordo da opinião da autora em diversos pontos, principalmente quando ela sugere a diminuição da individualidade (procura da felicidade) pelo fortalecimento do coletivismo.
  • No geral, o tom do livro é de “esperança na humanidade”. Isso é baseado, geralmente, na informação de que apenas 4% da população pode ter esses transtornos.

Vale a pena comprar? No fim das contas, é um livro com informações e casos interessantes que se perde um pouco ao divagar demasiadamente nas opiniões pessoais/políticas da autora.


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Blogaholic #10: Se divirta!

Blogaholic 10

Este é o último post da série Blogaholic e eu espero (muito) que vocês tenham gostado. Espero, no futuro, desenvolver outras séries com os mais diversos temas. Aceito sugestões.

Agora eu vou conversar com vocês sobre a coisa mais importante durante o processo de criação e manutenção de um blog: a diversão. Blogar é um hobby, então quando passa a ser uma obrigação que te deixa cansado, talvez seja hora de rever o que você vem produzindo e considerar focar em outras coisas — mesmo que temporariamente.

O trabalho de manter um blog pode se tornar bem irritante, se você sentir que está fazendo isso por qualquer motivo que não seja o que te levou inicialmente a criar este projeto. Por isso é muito importante que você mantenha o foco, mas sempre tentando diversificar o seu conteúdo.

Pense sempre o seguinte: eu acompanharia esta página? É isso que me atrai? Eu me leria? Se a resposta for sim, então boa parte do trabalho já está feita. Fazer um conteúdo interessante para si mesmo é o primeiro passo para fazer textos legais que despertem interesse.

Não escreva com preguiça ou com raiva. Isso transparece no seu material. Espere um momento melhor, em que sua mente esteja mais “fresca” para produzir. Os leitores preferem assim, garanto. Falo por experiência própria.

Já li postagens em que o texto parecia totalmente mecânico, sem uma gota de inspiração. Isso fez com que eu desistisse da leitura e, provavelmente, do blog. Eu mesmo já cometi esse erro e percebi que era normal que, nesses conteúdos, eu não quisesse nem mesmo revisar para não ter sequer o trabalho de reler. É como uma bola de neve, a tendência é piorar e deixar a qualidade diminuir.

Pode parecer uma dica batida, mas é importante que você escreva algo que você gostaria de ler. Esse critério pode ser muito útil. Edite, corte, delete. Já passei por momentos que estava com pouca vontade de escrever uma resenha, por exemplo, então preferi deletar o post e seguir adiante.

Blogs não estão mais “em alta” como estavam antigamente, você deve ter percebido. Ainda assim, existe um público fiel que não liga pra isso e prefere saber o que você pensa ao ler uma postagem divertida e/ou inteligente. O importante, no fim das contas, é se expressar.


Obrigado a todos que opinaram no post de brainstorm no Facebook (na época que Blogaholic ainda estava apenas no campo das ideias) e aos que acompanham o blog. Fiquem de olho nas próximas novidades que vão aparecer por aqui!


Leia os posts anteriores:

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Blogaholic #9: Peça ajuda

Blogaholic 9

Em qualquer aspecto da vida acho necessário que não se tenha vergonha de pedir ajuda. Afinal, ninguém é onipresente, onipotente e onisciente.

Ao manter um blog, você vai ver que é necessário pedir um help eventualmente, seja para fortalecer a frequência ou até mesmo na criação de posts pra redes sociais. E não tem nada de errado nisso, é óbvio.

Já falei sobre parcerias no Blogaholic #4 e acho que é um meio bem válido de se ajudar com a divulgação, pelo menos. De qualquer forma, na blogosfera é praticamente impossível crescer sozinho. Pode acontecer, claro. Mas é muito difícil. E acho que pouco divertido, no fim das contas.

Outro método é pedir a colaboração de outras pessoas para o seu blog. Conseguir editores não é uma tarefa fácil, pois nem todos terão o mesmo grau de comprometimento que você tem com o seu projeto. Isso é óbvio. As pessoas podem dizer que vão participar, mas só quem criou o blog e sabe as visualizações e o planejamento (a médio e longo prazo) acaba ficando com a tarefa de escrever incessantemente.

Não fique frustrado se isso acontecer. Repetindo: colaboração não é uma tarefa fácil. Cada pessoa produz em um tempo diferente e nem todos conseguem ter a disciplina necessária para criar uma armadura (ver Blogaholic #3), por exemplo.

Ainda assim, vale a pena tentar. Se você tiver pessoas de confiança que tenham experiência ou pelo menos força de vontade para te ajudarem, vá em frente.

Sempre tento passar a mensagem de que é extremamente importante ter uma diversidade de opiniões ao seu redor. Alienação nunca é uma coisa boa. Um exemplo disso acontece, por exemplo, com escritores que têm beta-readers (pessoas que lêem os materiais antes de serem publicados). É com esse feedback que conseguimos construir, aos poucos, uma equipe confiável que conhece o seu estilo e a proposta do seu blog.

Esteja cercado de pessoas que você confia.


Leia os posts anteriores:

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Blogaholic #8: Mantenha contato

Blogaholic 8

Já falei algumas vezes sobre a necessidade de conhecer o seu público, mas ainda mais importante do que isso é manter uma relação amigável com eles.

É imprescindível que você se comunique com seus potenciais leitores, converse com eles nas redes sociais, escute suas ideias — às vezes é interessante analisar se o que eles querem ver no seu blog condiz com o que você gosta de escrever.

Um das melhores maneiras de ter um termômetro sobre o que você está produzindo é através dos comentários no seu blog. Entretanto, comentários podem ser a coisa mais difícil de conseguir (e uma das mais frustrantes) para blogueiros. Leitores eventuais não comentam nos posts, apenas visualizam. Isso pode parecer estranho mas é um comportamento normal.

Uma maneira de saber o que as pessoas pensam sobre o seu blog é participar de grupos no Facebook (ou Whatsapp, se você tiver paciência) com outros blogueiros, para que vocês comentem nos blogs uns dos outros. Não é o clássico caso do “segue de volta” automático. Nesses grupos, as pessoas realmente lêem os seus posts e vêem o seu blog de uma maneira que só outro blogueiro enxergaria.

Os “grupos de comentários” vão muito além de só aumentar o número de comentários nas postagens ou de visitas no seu blog; ajuda em duas coisas: a primeira função é para você conhecer as tendências (como já falei no Blogaholic #2) e outra é aprimorar o seu senso crítico. Os feedbacks podem te ajudar a identificar erros e a consertá-los antes do próximo post.

Sei que isso é batido mas vale a pena repetir, por uma boa causa: críticas negativas nem sempre são… negativas. É normal que o nosso ego insista que o nosso ponto de vista é mais agradável ou interessante, mas que tal dar uma chance a algumas mudanças? Na prática, você tem a liberdade de experimentar. Se não gostar, volte a fazer o que sempre fez.

Também tente responder todas as mensagens privadas que receber no email, DMs, replies ou no Messenger. Aqui é importante ressaltar a relevância da empatia: ninguém gosta de ser ignorado, nem você. Se alguém se deu ao trabalho de falar com você, essa pessoa merece no mínimo uma resposta, certo?

Se expresse livremente nos seus posts, mas escute o que os outros têm a dizer.


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Blogaholic #7: Use as redes sociais a seu favor

Blogaholic 7

No Blogaholic anterior eu falei que existem maneiras inteligentes de trazer a persona para a sua página. Aqui, eu vou falar sobre alguns comportamentos ruins que podem afastar as pessoas de você e atitudes boas que podem te fazer aparecer de maneira positiva.

O algoritmo do Facebook é um saco. Sério. Ele não faz as suas postagens chegarem aos seus curtidores, então isso pode dificultar a sua divulgação e exigir de você um dinheiro para impulsionamento que talvez você não possa gastar. Isso faz com que alguns blogueiros e escritores (estou falando disso pois estou diretamente inserido nesse contexto) criem grupos de divulgação. A minha dica pra você é…

Não faça isso. Principalmente se estiver nos seus planos adicionar o máximo de pessoas possível sem a permissão delas. Grupos geram notificações e postagens na timeline. Essas coisas provavelmente afastam as pessoas da sua obra ou página e faz com que elas criem resistência ao assunto tratado.

Do mesmo jeito que marcar trezentas pessoas num post também vai irritar as pessoas e fazer com que elas te bloqueiem. Você pode não se importar que as pessoas façam isso com você, mas a maioria das pessoas sim.

Não seja insistente ou spammer (colando seus links em todos os posts que aparecerem na sua frente). Que tal conversar com as pessoas e falar sobre a sua proposta pra elas?

Veja o gráfico abaixo:

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É necessário você ter em mente que para divulgar alguma coisa, é preciso saber o meio termo entre a mensagem que você quer passar e o que o seu receptor quer ouvir. Só é possível conhecer esse meio termo a partir de estudos e conversas.

Às vezes pode ser mais enriquecedor ter um diálogo com alguém sobre uma temática interessante, do que só garantir uma visualização a mais no seu blog. Isso não significa que você vai se aproximar das pessoas com um interesse por trás. Apenas seja humano, converse, escute as pessoas. Se elas virem que você é gente boa, naturalmente vão querer saber mais sobre os seus projetos.

Não coloque o carro na frente dos bois e seja gentil. Empatia nunca é demais.


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