Resenha: “Outros Jeitos de Usar a Boca” de Rupi Kaur

Capa do livro Outros Jeitos de Usar a Boca de Rupi Kaur.

🧠🧠🧠🧠 (4/5)

Título: Outros Jeitos de Usar a Boca
Autora: Rupi Kaur
Editora: Planeta
Ano: 2017

Acredito que a coisa mais divertida de ler um livro de poesias (e eu tinha esquecido disso, confesso) é ler o mesmo poema diversas vezes. Quando você acaba o livro, pode praticamente dizer que releu aquela obra diversas vezes. A leitura calma, reflexiva, de poesias deveria ser algo mais comum na vida de todos.

Você pode não ter sido meu primeiro amor mas foi o amor que tornou todos os outros amores irrelevantes.

  • Os poemas, em sua maioria, são curtos. O que complementa a experiência e torna a leitura de um tema pesado consideravelmente mais leve.
  • A temática do livro é pesada e, possivelmente, um trigger (gatilho emocional) para pessoas que passaram pelos mesmos traumas de Rupi Kaur.
  • A autora traz o leitor, seja ele de qualquer gênero, para dentro de seu corpo e mente transmitindo tanto sentimentos negativos como dor e asco, como também prazer e completude.
  • Na parte “O Amor” é praticamente impossível não suspirar. Lindos textos, por vezes passíveis de inúmeras interpretações.
  • É um livro sobre autoconhecimento através de traumas e experiências. Ele coloca o dedo na ferida e serve de terapia para consolar a dor da autora.
  • Li “Outros Jeitos de Usar a Boca” no Kindle, e mesmo sem conhecer a diagramação original do livro, parece ter recebido muita atenção por conter ilustrações interessantes que complementam e/ou ilustram o sentido das poesias.

Vale a pena comprar? Eu acredito que sim. A acidez com que a autora conversa sobre a própria vida, contando experiências traumáticas, ilustra bem o tom do livro. É um livro de poesias, mas é intimista e, além de tudo, desperta uma curiosidade de saber o que vem a seguir.

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Conheça “Historinhas #4”

Foi lançado o quarto volume da série “Historinhas”! Confira a capa:

Historinhas 4

Disponível na Amazon e Kindle Unlimited

“Historinhas” é uma antologia de pequenas histórias sobre situações, pessoas e sentimentos. São textos com tendências obscuras, violentas e angustiantes. A intenção é fazer o leitor se imaginar naquela situação e refletir como seria a sua reação pessoal com aquilo. “Historinhas” é algo que deve ser engolido devagar para evitar indigestões.

Cada volume tem dez capítulos. Cada capítulo, uma historinha.

Não conhece a série Historinhas? Clique aqui para conferir todos os volumes.

 

Hiatus

tempo

Olá, leitores!

Senti a necessidade de conversar com vocês sobre as razões que me fizeram desaparecer do mapa nas últimas semanas.

Após uma ressaca literária terrível, meu ritmo de leitura desandou completamente e fez com que eu atrasasse a produção de resenhas da maneira que eu estava acostumado. Cheguei a escrever outras, porém não consegui sentir a mesma qualidade.

Vejo as visitas diárias ao blog crescendo, mesmo após semanas de inatividade. Isso me deixa alegre, pois sei que as resenhas que foram feitas anteriormente estão chegando a novos públicos; mas também fico um pouco desapontado pois essa seria a hora ideal para investir tempo e esforço no GATILHO.

Para evitar a perda de qualidade nos textos, parei a produção e estou focando nas minhas leituras individuais (sempre fazendo anotações para quando eu voltar a escrever, claro). Como eu falei no Blogaholic #10,

Blogar é um hobby, então quando passa a ser uma obrigação que te deixa cansado, talvez seja hora de rever o que você vem produzindo e considerar focar em outras coisas — mesmo que temporariamente.

O trabalho de manter um blog pode se tornar bem irritante, se você sentir que está fazendo isso por qualquer motivo que não seja o que te levou inicialmente a criar este projeto.

Ainda estou tentando convocar uma equipe de autores que queiram ter colunas semanais/quinzenais/mensais, mas até o momento não obtive sucesso. Se você quiser fazer parte do GATILHO, entra em contato comigo e nós podemos conversar.

Voltarei em breve com as resenhas e séries de posts, mas, por enquanto, preciso de um tempo para reorganizar as ideias.

Até o próximo post 🙂

 

 

Resenha: “Pá de Cal” de Gustavo Ávila

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Título: Pá de Cal
Autor: Gustavo Ávila
Editora: publicação independente
Ano: 2015

Quem acompanha o GATILHO há algum tempo, sabe que eu já resenhei uma obra do Gustavo Ávila chamada “O Sorriso da Hiena”. Foi uma das leituras mais legais que fiz nos últimos anos, muitíssimo divertida e curiosa. O que ninguém sabe é que bem antes de comprar minha edição do “Sorriso”, eu já tinha adquirido “Pá de Cal” na Amazon. Por algum motivo, comecei a ler a novela e abandonei pouco tempo depois.

Retomei a leitura e qual não foi a minha surpresa ao encontrar mais um ótimo texto de Gustavo Ávila. Claro que eu não podia deixar de indicar aqui no blog, né?

A atenção da garota voltou para si mesma quando sentiu um toque em seu braço. Uma mão plastificada esfregava um pedaço de algodão na dobra interna do seu cotovelo. Sentiu leves batidinhas na pele. A pessoa procurava sua veia. Logo em seguida, uma picada. Demorada e profunda. Viu a ampola da seringa sugar seu sangue e se misturar ao líquido do seu interior, para depois ver toda a substância ser injetada lentamente no seu corpo. Sentiu uma faixa de couro sendo enrolada na cabeça com algo frio pressionando suas têmporas. Mesmo sob o efeito da droga, tentou esboçar uma palavra, mas os músculos respondiam com lentidão. Um mordedor foi enfiado dentro da boca. O desconhecido que aplicara a injeção se afastou com dois passos para trás e, um segundo depois, sentiu a corrente elétrica percorrendo seu corpo.

Meus destaques:

  • Os personagens são tratados como números (1, 2, 3…). Isso pode tornar a leitura confusa algumas vezes. Eu interpretei isso como algo proposital, já que a intenção da história é, inicialmente, causar confusão.
  • A edição do livro é independente. Isso nem sempre quer dizer que terá erros, mas infelizmente nesse caso podemos observar alguns (poucos) deslizes da revisão. Não é nada que prejudique o entendimento, mas achei válido pontuar. Tem gente que se importa com isso bem mais do que eu.
  • As cenas de ação são bem escritas e muito descritivas. É quase como imaginar uma cena de filme (curiosamente eu fiz um elogio muito parecido na resenha de “O Sorriso da Hiena”; começo a notar um ótimo padrão na escrita do autor).
  • A ambientação do livro é bem interessante. Lembra cenas de filmes de ficção científica futurista. É um pouco abstrato pensar em um mundo inteiramente branco, mas as descrições de ambiente que o autor realiza são bem inteligentes.
  • Entendi o conto (ou novela?) como uma crítica a nossa necessidade de dormência emocional. Uma reflexão interessante pra saber a razão de procuramos tantas distrações o tempo todo, para nos livrarmos momentaneamente de momentos ruins. Eventualmente esquecendo a nossa identidade.

Vale a pena comprar? Por ser muito barato, definitivamente vale a pena fazer essa leitura. Pode se tornar um pouco confuso em muitos momentos, mas é uma leitura que tem uma resolução interessante – pelo menos na minha opinião.


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Resenha: “Mentes Perigosas” de Ana Beatriz Barbosa Silva

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Título: Mentes Perigosas
Autora: Ana Beatriz Barbosa Silva
Editora: Fontanar
Ano: 2008

Sempre fui fascinado por assuntos relacionados à mente humana, portanto, quando finalmente tive a oportunidade de pegar emprestado uma edição de “Mentes Perigosas”, o fiz de imediato. A capa (e toda a coleção de livros da autora) sempre me pareceram interessantes por trazer para a lista de mais vendidos um livro que tratasse de assuntos dessa área. Aqui estão algumas observações que fiz durante a leitura.

Embora se mostre muito distante da perfeição, a natureza humana apresenta-se muito mais governada por um senso de responsabilidade e interconectividade. Dessa forma, os horrores a que assistimos na televisão ou, às vezes, em nossas próprias vidas, em hipótese nenhuma refletem a humanidade típica.

Meus destaques:

  •  No começo do livro temos a impressão que a autora é um pouco maniqueísta, mas eventualmente ela explora os conceitos de “bom” e “mal”, tornando mais plausíveis os argumentos dela.
  • A autora alterna entre explicações técnicas (seja no âmbito da psicologia ou do direito) e histórias que ilustram o seu ponto. Acredito que por isso, tenha se tornado um livro tão popular.
  • Por vezes, o livro beira o sensacionalismo ao criar um “pânico” sobre o assunto. Até o próprio subtítulo deixa isso claro. É importante ativar o senso crítico durante a leitura.
  • A parte que eu mais esperei, os casos reais e famosos, não decepcionou. Bem informativo e bem narrado.
  • Um ponto interessante que é tratado no livro é quando ele fala das implicações sociais que a psicopatia pode causar, como guerras, por exemplo.
  • O final do livro me parece mais uma compilação de opiniões coletivistas e moralistas. Discordo da opinião da autora em diversos pontos, principalmente quando ela sugere a diminuição da individualidade (procura da felicidade) pelo fortalecimento do coletivismo.
  • No geral, o tom do livro é de “esperança na humanidade”. Isso é baseado, geralmente, na informação de que apenas 4% da população pode ter esses transtornos.

Vale a pena comprar? No fim das contas, é um livro com informações e casos interessantes que se perde um pouco ao divagar demasiadamente nas opiniões pessoais/políticas da autora.


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Blogaholic #10: Se divirta!

Blogaholic 10

Este é o último post da série Blogaholic e eu espero (muito) que vocês tenham gostado. Espero, no futuro, desenvolver outras séries com os mais diversos temas. Aceito sugestões.

Agora eu vou conversar com vocês sobre a coisa mais importante durante o processo de criação e manutenção de um blog: a diversão. Blogar é um hobby, então quando passa a ser uma obrigação que te deixa cansado, talvez seja hora de rever o que você vem produzindo e considerar focar em outras coisas — mesmo que temporariamente.

O trabalho de manter um blog pode se tornar bem irritante, se você sentir que está fazendo isso por qualquer motivo que não seja o que te levou inicialmente a criar este projeto. Por isso é muito importante que você mantenha o foco, mas sempre tentando diversificar o seu conteúdo.

Pense sempre o seguinte: eu acompanharia esta página? É isso que me atrai? Eu me leria? Se a resposta for sim, então boa parte do trabalho já está feita. Fazer um conteúdo interessante para si mesmo é o primeiro passo para fazer textos legais que despertem interesse.

Não escreva com preguiça ou com raiva. Isso transparece no seu material. Espere um momento melhor, em que sua mente esteja mais “fresca” para produzir. Os leitores preferem assim, garanto. Falo por experiência própria.

Já li postagens em que o texto parecia totalmente mecânico, sem uma gota de inspiração. Isso fez com que eu desistisse da leitura e, provavelmente, do blog. Eu mesmo já cometi esse erro e percebi que era normal que, nesses conteúdos, eu não quisesse nem mesmo revisar para não ter sequer o trabalho de reler. É como uma bola de neve, a tendência é piorar e deixar a qualidade diminuir.

Pode parecer uma dica batida, mas é importante que você escreva algo que você gostaria de ler. Esse critério pode ser muito útil. Edite, corte, delete. Já passei por momentos que estava com pouca vontade de escrever uma resenha, por exemplo, então preferi deletar o post e seguir adiante.

Blogs não estão mais “em alta” como estavam antigamente, você deve ter percebido. Ainda assim, existe um público fiel que não liga pra isso e prefere saber o que você pensa ao ler uma postagem divertida e/ou inteligente. O importante, no fim das contas, é se expressar.


Obrigado a todos que opinaram no post de brainstorm no Facebook (na época que Blogaholic ainda estava apenas no campo das ideias) e aos que acompanham o blog. Fiquem de olho nas próximas novidades que vão aparecer por aqui!


Leia os posts anteriores:

Blogaholic #1 | Blogaholic #2 | Blogaholic #3 | Blogaholic #4 | Blogaholic #5 | Blogaholic #6 | Blogaholic #7 | Blogaholic #8 | Blogaholic #9

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