O porquê da minha adoração aos livros do Rubem Fonseca

Quando eu era criança, minha mãe tinha o hábito de frequentar a casa de uma vizinha. Certa vez, a acompanhei. Nesse dia, a família estava reunida assistindo um filme de terror. O filme tinha tantas cenas horríveis, que eu passei um mês sem dormir e vários anos tendo repúdio a esse tipo de filme. Mais tarde, quando me recuperei do trauma, assisti ao mesmo filme por acaso e vi que não tinha nada demais, eu apenas tinha ficado impressionado.

Durante esse tempo em que eu evitei filmes de terror, eu tinha que conviver com o paradoxo de ser uma criança que gostava de violência, mas não conseguia nem ver tal coisa. Até hoje permaneço com trauma de agulhas e sangue de verdade, mas isso fica pra outro post. Descobri, então, minha tendência a gostar de literatura brutalista (gênero esse que só descobri a poucos meses atrás e sei muito pouco, confesso).

Conheci a obra de Rubem Fonseca em um dia aleatório, em uma situação aleatória. Tinha acabado de decidir que não poderia deixar de ler por falta de dinheiro para comprar livros, então me rendi aos e-books (descobri um site utilíssimo nesses momentos chamado LeLivros). Na sessão de contos, vejo o livro “Secreções, Excreções e Desatinos”. Quem não se encantaria com um título desses?

Esse livro, por sinal, virou um dos meus favoritos. Sua crueza ao tratar de tudo me encantou como poucas coisas antes. No futuro escreverei sobre como a minha vida teve diversos pontos que me fizeram mudar completamente o jeito que eu via a arte e o mundo. Esse foi um deles.

Claro que não foi o primeiro, mas foi o que me empurrou de vez nessa maravilhosa ladeira de violência, frieza, aura noir sem perder a essência brasileira e personagens de caráter completamente distorcido.

Caso queira uma dica de como começar a leitura da obra do autor, recomendo-lhe a mesma ordem em que eu li: “Secreções, Excreções e Desatinos” (2001), “Amálgama” (2013), “Pequenas Criaturas” (2002) e “Feliz Ano Novo” (1975). Recomendo também que alterne a leitura com outros livros, de outras temáticas e autores. Você perceberá claramente a falta que os contos farão na sua vida literária.

Mas só quatro livros até agora? Sim. Foi amor à primeira lida.

São livros incrivelmente ágeis e todos tem os seus pontos altos e baixos, o que me deixa mais encantado. Livros brutais sobre realismo têm que ser humanos, certo? Um aviso: o tom dos contos pode soar, inicialmente, machista ou lgbtfóbico, mas dá pra perceber que isso emana dos personagens (que não te fazem ter simpatia de maneira alguma, muito pelo contrário) e não do autor que tem hoje 91 anos.

O que está mais fresco na minha memória, “Feliz Ano Novo”, tem como destaque, além do conto homônimo (destaco o fato de nunca ter lido uma crítica social tão incrível), os contos “Passeio Noturno (I e II)”, “O outro”, “Nau Catrineta” (esse me deixou até sem dormir), “Entrevista” e “Intestino Grosso” (uma crítica ainda muito válida sobre o puritanismo da sociedade).

Se quiser saber mais sobre literatura brutalista, clique aqui.

Pessoalmente incentivo que você compre os livros. Garanto que não irá se arrepender e é sempre importante valorizar o trabalho do autor. Clique aqui para ver quais livros do autor estão à venda na Amazon (lembro que se você comprar por esse link você ajuda o desenvolvimento do GATILHO).

Se tiver dicas de livros sobre a mesma temática, me manda. Se gostar (ou não) dos livros do Rubem Fonseca, fala comigo também. Bora conversar.

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Escrito originalmente em 19 de maio de 2016, no Deus me livre de ser cult. Daquela época pra cá li vários outros livros do autor, mas isso fica pra outro post 😀

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Autor: Alvaro Hendrick

Blogueiro e publicitário. Acesse: portalgatilho.wordpress.com

4 comentários em “O porquê da minha adoração aos livros do Rubem Fonseca”

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