Resenha: “Sejamos Todos Feministas” de Chimamanda Ngozi Adichie

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Título: Sejamos Todos Feministas
Autor: Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2014

Eu já estava devendo uma leitura da Chimamanda para mim mesmo faz tempo. Vi diversos vídeos de palestras e entrevistas da autora na internet e meu interesse só aumentava. O jeito inteligente (porém deixando de lado pedantismos) que ela fala me conquistou.

Decidi começar com uma obra curta e agora já quero ler todos os livros.

Além da raiva, também tenho esperança, porque acredito profundamente na capacidade de os seres humanos evoluírem.

Meus destaques:

  • “Sejamos Todos Feministas”, por ser uma “transcrição” de uma palestra dada pela autora, segue um modelo parecido com o de “Buracos Negros” de Stephen Hawking: linguagem acessível e muito curto. Clique aqui para ver a palestra do TED.
  • Em menos de 30 páginas, Chimamanda explora o tópico feminismo através de resumos de suas próprias experiências e sugere soluções interessantes para frear o machismo.
  • A obra tem como cerne a discussão sobre os estereótipos a que somos (ambos homens e mulheres) expostos desde que nascemos.  Sugiro como conteúdo complementar que você assista o documentário “The Mask You Live In” da diretora Jennifer Siebel Newsom.
  • O tom da obra é de esperança. É bom ler algo que espere e proponha mudanças positivas na sociedade e em nós mesmos. A desconstrução é longa mas é necessária.

Vale a pena comprar? Sim! Da última vez que olhei, o e-book está disponível gratuitamente na Amazon. É uma leitura rápida que vai te apresentar à obra de Chimamanda Ngozi Adichie. Pretendo, com toda certeza, ler outros livros dela – principalmente os de contos, que parecem ser incríveis.


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Resenha: “Ácido, Amargo e Triste” de Maud Epascolato

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Título: Ácido, Amargo e Triste
Autor: Maud Epascolato
Editora: INDIE 6
Ano: 2016

Esse é o segundo conto de Maud Epascolato que senti a necessidade de resenhar aqui no blog. O primeiro foi “Querida Mari”. De qualquer forma, li os dois contos no mesmo dia. Além da capa muito legal (será uma referência a “O Oceano no Fim do Caminho”?), por diversos motivos, preferi esse do que o outro, diga-se de passagem.

“Meu travesseiro parecia ter sido confeccionado com pedras, as mesmas que poderiam ter colidido com a cabeça de Laís. Mas não. Eram joelhos. Milhares deles batendo em minha cabeça e me fazendo despertar no meio da madrugada como se fossem martelos. Em vez de desmaiar com as pancadas, eu acordava e sentia as dores de continuar viva carregando aquele fardo dentro do peito.”

Meus destaques:

  • O conto é baseado na música “Acid, Bitter & Sad” da banda This Mortal Coil. É interessante saber disso antes de começar a leitura.
  • É um ótimo conto, muito criativo e bem escrito.
  • Tem uma história completa, bem amarrada e personagens com profundidade.
  • A escritora aborda a natureza das relações familiares problemáticas através de um enredo instigante.
  • Formato que alterna entre sonho, realidade, memórias e frustrações.
  • É mais uma boa “leitura de meio” da autora.

Vale a pena comprar? Sim! Vale muito a leitura que é rápida e muito instigante. É mais uma “leitura de meio” que considero satisfatória.


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Resenha: “A Órbita” de Carlos E. A. Ramírez

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Título: A Órbita
Autor: Carlos E. A. Ramírez
Editora: Cattle Corner histórias
Ano: 2016

Mais uma obra que achei enterrada no meu Kindle. Baixei vários contos como esse (e os da Maud Epascolato) que estavam lá esperando para serem lidos. Não conhecia o autor, mas decidi dar uma chance.

“Mesmo que aqui ainda seja árido, frio, vermelho e hostil, nós sempre fomos e sempre seremos o planeta Terra.”

Meus destaques:

  • Tem uma escrita ágil. Realmente ágil.
  • O conto busca trazer uma reflexão sobre os ciclos em que a história humana está condenada a passar. É bom ter uma oportunidade de refletir sobre esses aspectos nesse momento do nosso país.
  • Descobertas e redescobertas morais, religiosas, científicas e políticas acontecem em diversos momentos da história.
  • A trama é curta, mas com um grande pulo de tempo no meio. Para mim, tornou a história artificial demais (eu sei que é “ficção científica”, mas não justifica).
  • Merecia ter uma história melhor explorada (o que provavelmente significaria algumas páginas a mais).

Vale a pena comprar? Depende. Se você quer ler algo simples, rápido mas sem muitas complicações (de enredo, de personalidade dos personagens etc.) pode ler. Se preferir algo diferente, existem outras leituras que podem te agradar mais (tenho várias dicas aqui no blog).


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Resenha: “Depois a Louca Sou Eu” de Tati Bernardi

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Título: Depois a Louca Sou Eu
Autor: Tati Bernardi
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2016

Descobri esse livro por acaso. Já tinha ouvido falar da Tati Bernardi de algumas colunas na Folha de S. Paulo e achei que valeria a pena começar a leitura.

Depois que li “Alucinadamente Feliz”, estive à procura de um livro sobre transtornos mentais que tratasse o assunto de uma maneira inusitada (misturando humor e drama nos momentos certos). Achei em “Depois a Louca Sou Eu” uma boa obra que preencheu esses requisitos de maneira exemplar.

“Meu amigo, se você é bizarro, saiba três coisas. (E lá vem momentinho autoajuda, péssimo, mas…) Uma: você não está sozinho. Duas: você é um cara legal, pode acreditar. Três: as pessoas rasas são mais felizes, mas elas nem sentem isso de verdade porque são rasas, então não vale.” 

Meus destaques:

  • Encontrei incríveis semelhanças com “Alucinadamente Feliz“. Seria ainda melhor se tivesse ilustrações ou fotos que enriquecessem a história como no caso da obra de Jenny Lawson;
  • Tem muitas referências à cultura pop brasileira: desde a “Sexta Sexy” da Band, passando por séries da Globo e até mesmo Sílvio Santos;
  • É um bom espelho. Digo isso da maneira mais direta possível. Como millennial, posso me identificar com uma narradora problemática e deveras hipocondríaca. E devo dizer que é um espelho em que vemos até mesmo os menores defeitos de nossas próprios medos e inseguranças;
  • Tive crisos de riso no ônibus. Isso já é um bom medidor de humor. É um livro triste mas é engraçado (os melhores livros de comédia são assim, certo?);
  • É um livro que gera empatia. Era comum eu me pegar dizendo “eu te entendo…” pra Tati.
  • Os melhores capítulos são: “Vinte charutinhos”, “Eu não desmaio, dr. Guido” e “Pânico na firma”. Há outros em que a autora disserta sobre remédios, rituais do cotidiano, ataques de pânico e muitas fobias: a avião, a patas de barata, a vomitar, a cheiros, a festas, a lugares fechados, a Ano-Novo, etc;
  • Me identifiquei com esse livro pois, assim como ela, eu também achei na literatura um cano de escape para os meus probleminhas aparentemente incontroláveis. Ler e escrever me acalmam e me deixam em um estado de domínio sobre minha ansiedade.

Vale a pena comprar? Definitivamente sim. Se você tiver alguns desses problemas, pode ser que o livro seja um trigger bem pesado pois as descrições são intensas. Mas é muito bem escrito e tem uma leitura muito ágil. Com certeza entrou no ranking das melhores leituras do ano.


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Resenha: “Querida Mari” de Maud Epascolato

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Título: Querida Mari
Autor: Maud Epascolato
Editora: INDIE 6
Ano: 2013

Geralmente tento não colocar resenhas de contos aqui no blog e sim no Instagram. Dessa vez, porém, eu acabei descobrindo dois contos de Maud Epascolato no meu Kindle e resolvi lê-los de uma vez. Nessa semana e em outras no próximo mês, teremos resenhas de contos tanto dela quanto de outro autor.

Meus destaques:

  • Final aberto a interpretações. Essa é uma das características que me fazem adorar contos. A possibilidade de deixar um final em aberto na maioria dos casos. Esse não escapa dessa tendência.
  • Boa escrita, não é cansativo. O estilo de Maud é bastante marcante. É simples de ler e te dá vontade de continuar lendo, independente da história.
  • História um pouco previsível. Bem previsível. Talvez seja essa a maior falha.
  • Uma boa “leitura de meio” para ler entre livros. Já falei sobre isso aqui no blog e já citei diversos contos que preenche esse requisito.
  • O personagem Edgar é de longe o mais interessante. Queria ler mais sobre ele.
  • O conto, além de ser curto, é dividido em pequenos capítulos, o que é particularmente positivo.

Vale a pena comprar? Talvez. É uma “leitura de meio” melhor do que a média, apesar de ser previsível.


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Resenha: “Acerto de Contas – Treze Histórias de Crime e Nova Literatura Latino-Americana” de vários autores

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Título: Acerto de Contas – Treze Histórias de Crime e Nova Literatura Latino-Americana
Autor: Daniel Galera (Org.)
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2017

Achei este livro por acaso enquanto navegava na internet. Além da capa linda que chamou a minha atenção na hora, gostei muito da temática da antologia. Decidi, então, dar uma chance.

Não conhecia nenhum dos autores publicados nessa antologia, mas tenho certeza que voltarei a ler obras de alguns deles no futuro.

  • No começo, a leitura fluiu muito rápido (cheguei à metade em poucos dias, então fiquei empacado no conto “1986”. Depois que finalmente terminei esse, a leitura fluiu bem mais rapidamente).
  • Meus favoritos são
    • “A cara” de Santiago Roncagliolo: conto divertido, tem bastante ironia e um bom final.
    • “O menino sujo” de Mariana Enriquez: é incrível a habilidade da autora de descrever violência e de nos fazer ficar tão obcecados pela história quanto ela pelo menino sujo.
    • “Cadelas” de Jorge Enrique Lage: esse é o tipo de conto que eu gosto de ler. Formato de escrita diferenciado e com final mind fuck. Personagens interessantes.
    • “Tentar lembrar” de Alejandro Zambra: conto metalinguístico com uma historia muito triste e forte sobre uma musa inspiradora do autor, Yasna.
    • “O sol dos cegos” de Joca Reiners Terron: conto sobre uma corrupção absurda que até parece ficção, mas acontece cotidianamente.
    • “Emunctórios” Rodrigo Blanco Calderón: é um conto estranho, escatológico, porém de leitura fluida.
    • “Cavalos na fumaça” de Carol Bensimon: um dos melhores do livro. Criativo e atual.
  • O livro, em grande parte, é bem escrito. As histórias são contadas em diversos países, então podemos conhecer um pouco da cultura de cada um deles. Claro que muitas vezes esses pontos de vista são bem parciais, mas faz parte.
  • Não é um livro leve, posso dizer com segurança.
  • Antologias podem se tornar cansativas muito rápido. Logo após a metade do livro, senti como se o ritmo tivesse mudado (para mais lento), deixando a leitura deveras cansativa (quando você tem aquele sentimento de “só quero terminar logo”.

Vale a pena comprar? Sim. Tenho uma base de avaliação muito clara: se metade dos contos de uma antologia foram bons, então a compra vale a pena. Em “Acerto de Contas”, temos 13 contos dos quais gostei de 7. É uma leitura divertida, no fim das contas.


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Resenha: “Estação Onze” de Emily St. John Mandel

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Título: Estação Onze
Autor: Emily St. John Mandel
Editora: Intrínseca
Ano: 2015

Comprei este livro no fim do ano passado, mas só agora decidi ler. Achei que o timing não poderia ser melhor devido às recentes discussões a respeito de arte, censura, liberdade de expressão etc.

“Estação Onze” é um daqueles livros que causam a famosa ressaca literária. Você fica pensando sobre os personagens e as situações por muito tempo após pausar ou terminar a leitura.

Conversei, inclusive, com a minha psicóloga sobre o que eu faria se estivesse na mesma situação dos personagens: um mundo pós-apocalíptico em que não há nenhum conforto do nosso mundo (como energia elétrica, internet… o conceito de globalização desaparece). Faria o mesmo que o personagem François Diallo.

Meus destaques:

  • Muitos capítulos, do jeito que eu gosto. 55 para ser mais exato.
  • Linha cronológica extremamente interessante. Vai para o passado e volta para o “presente” de uma maneira muito inteligente e que não torna o texto cansativo.
  • Personagens cativantes e profundos. Desde o Arthur, passando pelo Jeevan e terminando na Kirsten. Três personagens bem explorados que te fazem querer saber mais sobre a vida deles.
  • Boas reflexões sobre a nossa vida em sociedade e sua fragilidade. Por vezes não nos damos conta de que somos dependentes uns dos outros (com aquele discurso de que estamos ficando impessoais) e isso fica muito claro na narrativa da autora.
  • Simplicidade na escrita, apesar de tratar de temas filosóficos e artísticos sobre a natureza humana.
  • É um livro recheado de referências à cultura pop. Muito interessante ler citações a Lady Gaga, Calvin e Haroldo e Star Trek em um livro pós-apocalíptico.
  • Bem amarrado: a autora amarra todas as pontas soltas antes do fim do livro. Isso mostra o cuidado com a história.
  • Ler sobre a Sinfonia Itinerante é bom. Em tempos tenebrosos de discussões artísticas descabidas, conhecer personagens que, em meio ao caos, resolvem fazer arte é no mínimo reconfortante.

Vale a pena comprar? Sim. É uma leitura completa: tem drama, tem reflexão sobre a nossa sociedade, tem discussões sobre arte e sobre a fragilidade das nossas relações. Definitivamente, vale a pena ler.


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