Blogaholic #6: Escolha suas batalhas

Blogaholic 6

Você conhece o Mito de Sísifo? Consiste basicamente na história de um homem que depois de morrer teve a alma condenada a “rolar uma enorme pedra até o alto de um morro, mas quando já se encontrava bem avançado na encosta, a pedra, impelida por uma força repentina, rolava de novo para a planície. Sisífo empurrava de novo morro acima, coberto de suor, mas em vão.” (BULFINCH, 2006, p. 260). Isso por toda a eternidade.

Falei disso pois achei necessário escrever um tópico sobre como é importante escolher as suas batalhas. Não gastar energia em coisas desnecessárias. É preciso saber onde o seu público está e quais meios de divulgação do seu blog são mais eficientes.

Já falei que é necessário conhecer o seu comportamento (para saber o jeito que você trabalha e as suas forças) e o do seu público. Quebre a cabeça tentando criar uma pessoa imaginária. É o que, na publicidade, chamamos de “persona”. Alguém que, se existisse, poderia chegar até a sua página. Que redes sociais ela acessa? Que tipo de post chama mais atenção dela? Que tipo de coisa faz com que ela busque uma resenha ou um blog literário, por exemplo?

Durante algum tempo, quando voltei a postar periodicamente no meu blog, gastei muita energia e dinheiro na página do Facebook, por exemplo, até perceber que não era o melhor lugar. Descobri então que o Instagram e até mesmo o meu perfil pessoal do Skoob eram lugares melhores.

Digo “energia” pois nunca tive exatamente um talento para direção de arte. Não consigo fazer imagens para post tão atraentes quanto outras pessoas, então isso fazia com que eu passasse horas tentando criar algumas coisas que, no fim das contas, não ficavam bonitas. Penso que poderia ter investido o meu tempo em escrever mais posts e em conversar com outros blogueiros.

Resumo da história: deixei de “fazer o Sísifo” e praticamente abandonei a página oficial do blog no Facebook. Não gerava resultados. O Facebook pode sim ser utilizado, mas vamos pensar na “persona”. Existem maneiras mais inteligentes de chegar até ela.

Escolha as suas batalhas e seja mais produtivo nas coisas certas.

Referência: BULFINCH, Thomas. O livro de ouro da mitologia: história de deuses e heróis. Rio de Janeiro: Ediouro, 2006.


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Blogaholic #5: Diversifique

Blogaholic 5

Durante o ano passado, estive afogado em obrigações, o que me impossibilitou de criar novas postagens periódicas sem que isso deixasse o blog “bagunçado” e aleatório. Apesar disso, tentei acompanhar as tendências (como já falei no Blogaholic #2) e descobri formatos que são simples de serem produzidos e fazem exatamente isso: diversificam o conteúdo do seu blog.

Okay, você pode falar apenas sobre o assunto a que se propôs inicialmente. Mas tente experimentar novas formatações. Sempre é possível interromper o que você não gostar, essa é a graça de ter a sua página. Existe liberdade para criar, testar e reaproveitar coisas que seu público pode (ou não) aprovar.

Isso, além de aumentar a sua diversidade de conteúdo, ainda torna o trabalho de blogar menos entediante. Fazer só resenhas, por exemplo, pode se tornar chato em pouco tempo. Que tal dar dicas de hábitos de leitura, fazer listas, participar de TAGs e tantas outras coisas? As possibilidades são infinitas, dependem exclusivamente da sua criatividade e de suas referências.

O único aviso que posso deixar é: tenha cuidado apenas para não afastar o público que já te acompanha pelo seu conteúdo original. Não há nada de errado em prospectar uma audiência diferente, mas faça mudanças com cautela. Planejamento, nesse caso, é bem importante. Se você fosse um leitor assíduo do seu blog, gostaria das mudanças que estão ocorrendo? Se a resposta for sim, vá em frente!

Observe o comportamente do seu público, converse com outras pessoas, peça opiniões e comentários. A série Blogaholic surgiu de uma ótima conversa que tive com um dos meus parceiros, o Lyncon Moreira do blog Eletronic Maze.

É fundamental que você se mantenha aberto a adaptações. Essa é uma das melhores características dos seres humanos: a capacidade de se adaptar aos mais diversos ambientes e fazer o melhor com o que há disponível ao redor.

Deixar a sua mente aberta é crucial.


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Blogaholic #4: Faça parcerias

Blogaholic 4

Sempre fiz parcerias. Mesmo quando não sabia exatamente como me engajar com os parceiros de uma maneira diferente, sempre troquei banners, links, postagens, etc.

Parcerias ajudam o seu blog a crescer. É importante saber selecionar exatamente que sites podem te trazer mais visitas e quais estão relacionados com a temática do seu blog. Nessa parte, é importante desenvolver a sua capacidade de prospecção.

Aqui no GATILHO, por exemplo, eu costumo utilizar principalmente o Instagram para a divulgação do meu blog. Então, é plausível que a maioria dos meus parceiros seja composta de perfis dedicados à literatura ou cultura pop em geral. O público é semelhante. Já os blogs parceiros, além de tratar de literatura e cultura pop, contém materiais de autores independentes ou notícias.

Procure sempre citar os seus parceiros em suas postagens em redes sociais, além de participar ativamente de suas postagens (seja com uma simples curtida ou um comentário; isso é essencial para manter uma boa relação e fugir da simples troca de banners que não gera resultados para nenhum dos dois).

Se você quiser investir, que tal fazer uma promoção conjunta com seus parceiros? Já vi exemplos de blogs literários que se juntam para divulgar promoções que dão excelentes resultados em questão de engajamentos.

É possível também criar parcerias com autores, mas nesse ponto um aviso é importante: não se encha de obrigações que não poderá cumprir. De que adianta fazer parcerias com trezentos autores se você, por algum motivo, prefere seguir as próprias leituras sem obrigação com outras pessoas?

Se algo de errado acontecer, comunicação é o ponto chave. Converse com seus parceiros e explique o problema. É possível resolver as coisas de maneira mais simples se houver diálogo entre as partes envolvidas.

Seja sincero com você mesmo e com seu ritmo de postagens. Evite criar falsas ilusões.


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Resenha: “No Sufoco” de Chuck Palahniuk

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5-estrelas

Título: No Sufoco
Autor: Chuck Palahniuk
Editora: Leya
Ano: 2015

Só Deus sabe há quanto tempo que eu queria fazer essa resenha. Passei literalmente anos paquerando esse livro e acho que não poderia ter lido em época melhor.

Ler Chuck Palahniuk sempre é uma experiência muito positiva. Além de poder aproveitar uma bela narrativa, suas obras sempre têm muito conteúdo informativo sobre as bizarrices do mundo. Torna tudo ainda mais legal.

Sem ter acesso ao verdadeiro caos, nunca teremos paz de verdade. A não ser que tudo fique pior, nada vai ficar melhor.

Meus destaques:

  • Como eu disse anteriormente, os livros de Palahniuk sempre contém muita informação sobre as mais aleatórias (e estranhas) particularidades. É como ler um “Guia dos Curiosos infernal”. E isso é estranhamente bom.
  • Algo que Palahniuk sempre se empenha é na construção dos personagens. Nenhum deles é exatamente o que você pensa. Todos têm camadas e camadas de personalidade que são descobertas durante a leitura. O protagonista, Victor Mancini, é um poço de inseguranças e problemas psicológicos. Bem interessante de acompanhar.
  • Não é um livro fácil. Loucura e sanidade mental são temas recorrentes. É importante que sua mente esteja aberta para a imersão que o autor propõe.
  • O livro tem tramas paralelas bem desenvolvidas (como o amigo do Victor, Denny, que carrega pedras incessantemente para lidar com seu vício em sexo). Isso demonstra o trabalho que Chuck teve em lapidar o livro da forma mais completa possível, na minha opinião.
  • Meu “No Sufoco” está repleto de post-its, o que significa que tem inúmeras passagens intrigantes.

Vale a pena comprar? Definitivamente, sim! “No Sufoco” é um daqueles livros que te fazem viajar numa imersão completa. É uma história maluca, violenta, pesada e incrível. Do jeito que toda obra do Chuck Palahniuk tem que ser.


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Wishlist: Desejados da Semana

#1 – “Jantar Secreto” de Raphael Montes (Companhia das Letras)

418dhpw3axl-_sx331_bo1204203200_“Um grupo de jovens deixa uma pequena cidade no Paraná para viver no Rio de Janeiro. Eles alugam um apartamento em Copacabana e fazem o possível para pagar a faculdade e manter vivos seus sonhos de sucesso na capital fluminense. Mas o dinheiro está curto e o aluguel está vencido. Para sair do buraco e manter o apartamento, os amigos adotam uma estratégia heterodoxa: arrecadar fundos por meio de jantares secretos, divulgados pela internet para uma clientela exclusiva da elite carioca. No cardápio: carne humana. A partir daí, eles se envolvem numa espiral de crimes, descobrem uma rede de contrabando de corpos, matadouros clandestinos, grã-finos excêntricos e levam ao limite uma índole perversa que jamais imaginaram existir em cada um deles.”

Tive uma excelente experiência de leitura com a obra “O Vilarejo” e tenho certeza que eu iria adorar essa história louca desenvolvida pelo Raphael Montes. Espero poder resenhá-lo em breve.

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#2– “Mestre das Chamas” de Joe Hill (Arqueiro)

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Uma pandemia global de combustão espontânea, que ninguém sabe exatamente como começou, está se espalhando como rastilho de pólvora, e nenhuma pessoa está a salvo. Todos os infectados apresentam marcas pretas e douradas na pele e a qualquer momento podem irromper em chamas. Nos Estados Unidos, uma cidade após outra cai em desgraça. O país está praticamente em ruínas, as autoridades parecem tão atônitas e confusas quanto a população e nada é capaz de controlar o surto. O caos leva ao surgimento dos impiedosos esquadrões de cremação, patrulhas autodesignadas que saem às ruas e florestas para exterminar qualquer um que acreditem ser portador do vírus. Do aclamado autor de A estrada da noite , este livro é um retrato indelével de um mundo em colapso, uma análise sobre o efeito imprevisível do medo e as escolhas desesperadas que somos capazes de fazer para sobreviver.

Durante algum tempo da minha vida estive viciado em Joe Hill (li “O Pacto” e “Estrada da Noite” e lembro que adorei as leituras). O tempo passou e esqueci de pesquisar sobre suas obras novas. Recentemente recebi uma indicação de leitura de “Mestre das Chamas” e, pelo que ouvi, acredito que seja uma leitura bem interessante.

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#3 – “A Sutil Arte de Ligar o Foda-se” de Mark Manson (Intrínseca)

41r4gazgobl-_sx326_bo1204203200_Chega de se torturar para pensar positivo enquanto sua vida vai ladeira abaixo. Chega de se sentir inferior por não ver o lado bom de estar no fundo do poço. A grande verdade é que às vezes nos sentimos quase sufocados diante da pressão infinita por parecermos otimistas o tempo todo. Ninguém pode fracassar simplesmente, sem aprender nada com isso. E é aí que entra a revolucionária e sutil arte de ligar o foda-se. Mark Manson usa toda a sua sagacidade de escritor e seu olhar crítico para propor um novo caminho rumo a uma vida melhor, mais coerente com a realidade e consciente dos nossos limites. Como um verdadeiro amigo, Mark se senta ao seu lado e diz, olhando nos seus olhos: você não é tão especial. Ele conta umas piadas aqui, dá uns exemplos inusitados ali, joga umas verdades na sua cara e pronto, você já se sente muito mais alerta e capaz de enfrentar esse mundo cão. Uma abordagem franca e inteligente que vai ajudar você a descobrir o que é realmente importante na sua vida, e f*da-se o resto.

Não li muitos livros de auto-ajuda na minha vida, mas esse me chamou a atenção pela sua bela capa e título. Imagino que deva ser um livro engraçado e útil, na medida do possível.

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Blogaholic #3: Frequência e “armadura”

Blogaholic 3

Devo ser sincero: nunca fui uma daquelas pessoas com muita disciplina com os meus hobbies e isso inclui, claro, meus blogs. Olhando para trás, acho que esse foi o principal problema que me fez abandoná-los. Sempre fiz as coisas no meu tempo, nunca levei a leitura, por exemplo, como uma obrigação. Há semanas em que não leio nada e semanas em que leio três ou quatro livros (e resenho todos de uma vez). A produtividade nunca foi uma constante, para falar a verdade.

Entretanto, desde julho de 2017 decidi ser organizado. E sabia, desde o momento dessa decisão, que seria um desafio.

Observei qual o dia que o blog recebia mais visitas (quintas-feiras) e qual o horário que essas visitas aconteciam (por volta das 19h). Optei por escrever resenhas semanalmente e postá-las nas quintas, ás 18h — para que, quando entrassem no GATILHO, um novo post já estivesse no ar.

A partir daí, religiosamente, produzi resenhas e li compulsivamente, apesar de todos os entraves que aparecessem. Para você ter uma ideia, o segundo semestre de 2017 foi quando precisei desenvolver o meu TCC. Entre uma correria e outra, li um conto e resenhei para não deixar o blog sem a frequência que havia planejado.

Isso foi definitivo para o crescimento do blog até agora. Todos os meses desde então consegui bater a meta de visitas (que não é nem um décimo de blogs mais populares, mas todo mundo tem que começar em algum lugar, certo?). Fiz o possível para tornar claro que sempre haveria coisa nova.

2017-12-31

Não importa se você só puder postar uma vez por semana, como eu. O importante é que você se planeje e tente criar uma “armadura”.

O que é uma armadura?

Armadura é como eu chamo a fila de posts que deixo programados para as semanas que virão. Isso permite que eu possa me concentrar em outras coisas e que eu possa fazer as minhas leituras com calma.

Considero extremamente cansativo ter que escrever às pressas para postar em cima da hora e isso sempre me desanima. E provavelmente vai te desanimar também.

Escreva posts antecipadamente antes de colocá-los no ar, assim você evita que seus leitores (e você, claro) fiquem frustrados com semanas “mortas”. Sei que nem sempre é possível fazer isso, mas vale a tentativa.

Durante as semanas em que você estiver mais livre, foque em outras coisas como divulgação ou aperfeiçoamento do layout. Aproveite o tempo extra para fazer ainda mais planejamentos de como tornar seu blog ainda mais completo. Foi assim que decidi criar “séries” como o Blogaholic para o GATILHO.

Esteja sempre lá e as pessoas lembrarão de você.


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Resenha: “O Adulto” de Gillian Flynn

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Título: O Adulto
Autor: Gillian Flynn
Editora: Intrínseca
Ano: 2015

Gillian Flynn se tornou uma de minhas autoras preferidas. Devo dizer que continuarei lendo toda a bibliografia dela e resenhando cada um aqui no blog. Enquanto me livro da ressaca literária deixada por “Objetos Cortantes” e continuo a ler “Lugares Escuros”, decidi dar uma chance para o (pequeno) “O Adulto”.

Antes de tudo é necessário saber que, como diz na folha de rosto do próprio livro, “esta obra foi lançada originalmente em 2014 sob o título “What do you do?” como parte da antologia Rogues, editada por George R. R. Martin e Gardner Dozois”. E isso é relevante pois deixou claro que é um conto, o que eu não sabia de antemão.

Em pouco menos de uma hora finalizei a leitura deste livro, querendo, a cada minuto, que ele durasse mais.

Não sei dizer a cor dos olhos da minha mãe, mas sei que a mancha no tapete felpudo era marrom-escura como sopa, que as manchas no teto eram de um laranja queimado e as na parede, de um vibrante amarelo-mijo de ressaca.

Meus destaques:

  • Navega entre diversos gêneros literários: realismo, mistério, suspense, sobrenatural, road movies… É um caldeirão de conteúdo.
  • É como se o estilo de Chuck Palahniuk (vide: Assombro, 2016) se misturasse à excelente narrativa de J. K. Rowling (vide: Morte Súbita, 2012) e formasse “O Adulto”.
  • Curioso como Gillian desenvolve personagens jovens com tanta profundidade e força. Foge do clichê de adolescente idiota facilmente manipulável que a maioria dos livros ainda insiste em passar.
  • Me lembrou a “aura” do filme “Hard Candy” (2005). Se você assistiu, provavelmente sabe do que eu tô falando. Reviravoltas, muitas reviravoltas.
  • A protagonista conta a sua história de uma maneira intrigante, tornando possível que o leitor entenda a razão pela qual ela faz as coisas que faz.

Vale a pena comprar? Sim! Definitivamente sim! Mais que uma leitura de meio (por ser curta), é uma obra bastante criativa e merece atenção de quem gosta do gênero.


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