Resenha: “Acqua Toffana” de Patrícia Melo

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Título: Acqua Toffana
Autor: Patrícia Melo
Editora: Rocco Digital
Ano: 2009

Esta é a última resenha de 2017, então senti que precisava ler algo que há algum tempo já não fazia parte da minha rotina de leitura: brutalismo.

Desde que me interessei inicialmente pela obra de Rubem Fonseca, sempre recebi indicações de livros da Patrícia Melo. Há obras dela em minhas listas de desejo há mais de um ano. Então, foi com muitas expectativas que finalmente tive a oportunidade de ler “Acqua Toffana”.

Confesso que no começo eu tinha certa desconfiança quanto à qualidade do texto, por ser um pouco repetitivo, mas a leitura convence.

A realidade é uma merda intransponível.

Meus destaques:

  • Uma coisa importante que não só fiquei sabendo quando comecei a leitura: o livro é composto por duas histórias.
  • A primeira história é um pouco repetitiva, mas conforme a trama acontecia, mais coisas eram explicadas e tornava cada um dos detalhes muito importantes para a compreensão.
  • Tem muitas referências a filmes e fobias. Também tem algumas curiosidades sobre o veneno que dá nome ao livro, acqua toffana.
  • Os últimos capítulos são, de longe, os melhores. Muita coisa acontece: reviravoltas, revelações etc. Tem um final em aberto. Tem um sentido, mas é sujeito a interpretações.
  • A segunda história trata, principalmente da perversidade humana. É a manipulação de uma pessoa por outra, seguido do planejamento de um assassinato. Estamos na cabeça de um homem louco, misógino e detestável.
  • O ódio espontâneo  que o protagonista sofre é absurdo e desprezível, do começo ao fim da história. Muita violência, camadas de pensamentos e loucuras, nunca sabemos o que é real e o que é delírio.
  • Achei a escrita do segundo conto bem mais interessante, pois causa suspense a todo momento. Além disso, considero uma imersão na mente de um psicopata.

Vale a pena comprar? Sim! Entretanto, é um terror psicológico bem forte e pode ser trigger para algumas pessoas. Leia com cautela, se for mais sensível a esses conteúdos. No geral, achei uma boa adição às minhas obras lidas do gênero brutalismo, que acho particularmente muito intrigante.


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Resenha: “Versos Malditos” de Alfredo Alvarenga

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Título: Versos Malditos
Autor: Alfredo Alvarenga
Editora: publicação independente
Ano: 2017

Recentemente criei um perfil no Facebook para interagir apenas com blogueiros e escritores. Provavelmente foi uma das melhores decisões que tomei na internet, pois agora consigo acompanhar de maneira bem mais intensiva a produção literária independente.

Conheci Alfredo Alvarenga e sua obra exatamente nesse contexto. A primeira coisa que me impressionou, claro, foi a qualidade de suas capas — logo depois descobri que eram produzidas pelo seu irmão, Luitz Terra.

Ele foi influenciado principalmente por Chambers, Lovecraft e Edgar Allan Poe, com quem rapidamente percebi a semelhança no estilo de escrita.

A agonia me foi profunda, era a morte que a mim se aproximava e me arrancava do corpo para jogar-me no mais profundo dos círculos dos infernos. Então, despertei, não era a morte que me envolvera com seu manto e sim seu irmão, o sono.

Meus destaques:

  • Como disse acima, existem traços estilísticos de Poe na escrita do autor. É interessante observar isso durante a leitura, se você já conhece a referência. O primeiro conto, homônimo ao livro, deixa isso bem claro.
  • Existe um lirismo na escrita de Alfredo, tornando o texto complexo. Apesar disso ele não tem o hábito de se demorar em detalhes desnecessários (a famosa e tão temida ação de encher linguiça).
  • A simplicidade das histórias — sempre com um objeto importante (como um pássaro ou um cometa), tornam o livro divertido.
  • O livro contém seis contos, curtos. A leitura é rápida e envolvente, do jeito que eu gosto. Às vezes existe uma quebra de quarta parede, o que eu acho bastante interessante quando é bem utilizado (nesse caso, para referenciar ainda mais os contos de Poe).
  • Talvez eu seja suspeito pra falar, mas adoro ler sobre os dois temas principais do livro: bruxaria e loucura. Meus contos preferidos são: “Versos Malditos”, “A Morte da Feiticeira” e “O Retorno de Clara”.

Vale a pena ler? Sim, é uma leitura rápida e que entretém. Por esses motivos, considero uma boa “leitura de meio” (para ler entre um livro e outro com o objetivo de “descansar” ou sair da ressaca literária). Está disponível gratuitamente no Wattpad.

Resenha: “Ácido, Amargo e Triste” de Maud Epascolato

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Título: Ácido, Amargo e Triste
Autor: Maud Epascolato
Editora: INDIE 6
Ano: 2016

Esse é o segundo conto de Maud Epascolato que senti a necessidade de resenhar aqui no blog. O primeiro foi “Querida Mari”. De qualquer forma, li os dois contos no mesmo dia. Além da capa muito legal (será uma referência a “O Oceano no Fim do Caminho”?), por diversos motivos, preferi esse do que o outro, diga-se de passagem.

“Meu travesseiro parecia ter sido confeccionado com pedras, as mesmas que poderiam ter colidido com a cabeça de Laís. Mas não. Eram joelhos. Milhares deles batendo em minha cabeça e me fazendo despertar no meio da madrugada como se fossem martelos. Em vez de desmaiar com as pancadas, eu acordava e sentia as dores de continuar viva carregando aquele fardo dentro do peito.”

Meus destaques:

  • O conto é baseado na música “Acid, Bitter & Sad” da banda This Mortal Coil. É interessante saber disso antes de começar a leitura.
  • É um ótimo conto, muito criativo e bem escrito.
  • Tem uma história completa, bem amarrada e personagens com profundidade.
  • A escritora aborda a natureza das relações familiares problemáticas através de um enredo instigante.
  • Formato que alterna entre sonho, realidade, memórias e frustrações.
  • É mais uma boa “leitura de meio” da autora.

Vale a pena comprar? Sim! Vale muito a leitura que é rápida e muito instigante. É mais uma “leitura de meio” que considero satisfatória.


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Resenha: “A Órbita” de Carlos E. A. Ramírez

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Título: A Órbita
Autor: Carlos E. A. Ramírez
Editora: Cattle Corner histórias
Ano: 2016

Mais uma obra que achei enterrada no meu Kindle. Baixei vários contos como esse (e os da Maud Epascolato) que estavam lá esperando para serem lidos. Não conhecia o autor, mas decidi dar uma chance.

“Mesmo que aqui ainda seja árido, frio, vermelho e hostil, nós sempre fomos e sempre seremos o planeta Terra.”

Meus destaques:

  • Tem uma escrita ágil. Realmente ágil.
  • O conto busca trazer uma reflexão sobre os ciclos em que a história humana está condenada a passar. É bom ter uma oportunidade de refletir sobre esses aspectos nesse momento do nosso país.
  • Descobertas e redescobertas morais, religiosas, científicas e políticas acontecem em diversos momentos da história.
  • A trama é curta, mas com um grande pulo de tempo no meio. Para mim, tornou a história artificial demais (eu sei que é “ficção científica”, mas não justifica).
  • Merecia ter uma história melhor explorada (o que provavelmente significaria algumas páginas a mais).

Vale a pena comprar? Depende. Se você quer ler algo simples, rápido mas sem muitas complicações (de enredo, de personalidade dos personagens etc.) pode ler. Se preferir algo diferente, existem outras leituras que podem te agradar mais (tenho várias dicas aqui no blog).


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Resenha: “A Confraria dos Espadas” de Rubem Fonseca

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Título: A Confraria dos Espadas
Autor: Rubem Fonseca
Editora: Nova Fronteira
Ano: 2014 (primeira edição de 1998)

Nas resenhas do Gatilho, eu sempre começo com uma introdução especial que explica a minha relação com o autor ou com o livro (se houver). Acho que no caso do Rubem eu não preciso escrever muita coisa, vocês que acompanham o blog já sabem a minha opinião sobre ele. Li esse livro em março e boa parte dessa resenha estava nos arquivos do blog. Resolvi publicá-la agora.

Confraria é uma antologia de oito contos no melhor estilo do autor. Muitas pessoas, no Skoob, falam que é mais do mesmo, mas eu discordo. Na verdade, discordo completamente.

Todos os oito contos são bons, alguns deles são muito bons. Nas 144 páginas é possível achar muita criatividade na violência e nas situações de uma forma que foi praticamente impossível, pelo menos pra mim, parar de ler.

Meus destaques:

  • “Livre arbítrio”, “Anjo das Marquises”, “O Vendedor de Seguros”, “A Confraria dos Espadas” são de longe os melhores (e mais peculiares) contos do livro.
  • Diversos formatos compõem o livro: desde a prosa normal, outro apenas de diálogos e até um escrito como roteiro de teatro.
  • Inteligente. Como todos os livros do Rubem. Veja o conto “À maneira de Godard”.
  • Curto. Com apenas 144 páginas não dá tempo de enjoar.

Vale a pena comprar? Sou suspeito pra falar, mas SIM. Considero esse um ótimo livro de “transição” (aqueles livros/contos que “aliviam” sua cabeça depois de um romance normal).

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Resenha: “Lúcia McCartney” de Rubem Fonseca

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Título: Lúcia McCartney
Autor: Rubem Fonseca
Editora: Nova Fronteira (Saraiva de Bolso)
Ano: 2015 (o original foi publicado em 1969)

Mais resenhas de Rubem Fonseca, pra variar. Esse eu comprei em uma promoção na Saraiva — que cheguei a citar nesse post — e é realmente muito bom. Abaixo algumas considerações.

Este é o segundo pocketbook da coleção Saraiva de Bolso que li e, juro pra vocês, não esperava que fosse gostar tanto dessas edições. Livros leves, diagramação legal, tamanho da fonte bom e papel amarelo. Tudo que se tem normalmente num livro de tamanho normal só que… pocket. O único pecado é não ter orelhas, mas dá pra sobreviver.

Fico feliz de ter gostado desses pocketbooks, afinal comprei mais quatro deles e seria horrível ter uma leitura desconfortável.

Quanto ao ritmo de leitura, posso dizer que foi mais do que a média de outros livros do Fonseca. Talvez isso tenha se dado pelo número cada vez maior de tarefas no meu dia-a-dia e leituras paralelas, mas achei interessante registrar.

É um livro denso, como todos do Rubem Fonseca. Alguns contos fluem mais rápido, outros podem levar dias e dias de leitura (como sempre, a minha dica é: não se prenda tanto, pule os contos complicados; se achar necessário, volte a leitura depois).

Meus destaques positivos são os contos:

  • O quarto selo (fragmento): conto simplesmente INCRÍVEL. Sério, esse conto é excelente. Minha anotação no post-it que colei perto do título escrevi “talvez um dos melhores que já li”.
  • *** (Asteriscos): um dos contos que prova a criatividade do Fonseca. Esse livro inteiro, inclusive, parece ser um dos mais experimentais que li dele.
  • Meu interlocutor: uma palavra: violência.
  • Corrente: a Historinha que eu sempre quis escrever.
  • Os inocentes: me lembrou os primeiros contos que li do Fonseca (os que me fizeram me apaixonar pela obra).
  • Relato de ocorrência em que qualquer semelhança não é mera coincidência: o último conto fechou o livro de uma maneira simplesmente perfeita. Deixou aquela sensação de que a leitura valeu a pena.

Vale a pena comprar? Sim! Comprei por apenas R$ 3,12 numa promoção da Saraiva.

Abaixo tem o link para o ebook na loja da Amazon, caso você queira dar uma pequena comissão aqui pro blog hehe 🙂

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Resenha: “A Coleira do Cão” de Rubem Fonseca

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Título: A Coleira do Cão
Autor: Rubem Fonseca
Editora: Nova Fronteira (Saraiva de Bolso)
Ano: 2015 (o original foi publicado em 1965)

Com o receio de soar repetitivo: eu adoro o Rubem Fonseca. Apesar de todo esse carinho, acreditem ou não, nunca tive nenhum livro dele. Então, quando vi algumas obras em uma promoção de pocketbooks (coleção Saraiva de Bolso), é óbvio que comprei. Além desse, estão na lista “Lucia McCartney”, “A Grande Arte” e “Agosto” do mesmo autor. Em breve escreverei resenhas sobre eles também.

Esse foi o segundo livro escrito pelo Rubão, lá em 1965. Eu meio que me devia essa leitura, então foi gostoso de ler. “A Coleira do Cão” tem oito contos e, na edição da Saraiva de Bolso, apenas 192 páginas.

Os meus destaques são:

“A Opção”: enquanto lia este conto só conseguia imaginar a reação das pessoas nos anos 1960 aos assuntos debatidos de forma tão aberta aqui. Tratar de transexualidade de uma maneira criativa, envolvente e muito bem escrita deve ter sido uma surpresa na época. Foi bom descobrir que o Rubem já escrevia finais em aberto antigamente.

“O Grande e o Pequeno”: foi uma belíssima surpresa. Comecei a ler e, por algum motivo que desconheço, criei alguma resistência. Depois das primeiras páginas eu fui arrebatado. Muito bem escrito, com um ar nostálgico que me trouxe sentimentos bons. Para vocês terem uma ideia, no post-it que colei no capítulo escrevi “É como assistir a um ótimo filme”.

“A Coleira do Cão”: apesar de não ser fã do gênero, eu adoro ler os contos policiais do Rubem. Eles são tão bem escritos, as tramas e os personagens vão desabrochando de um jeito tão natural que, quando dou por mim, já estou devorando as últimas páginas da história. Foi um final perfeito para o livro.

Vale a pena comprar? Claro que sim! Principalmente na Saraiva, por custar pouquíssimo (comprei por menos de R$3,50, sério). Abaixo tem o link para o ebook na loja da Amazon, caso você queira dar uma pequena comissão aqui pro blog hehe 🙂

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