Resenha: “Estação Onze” de Emily St. John Mandel

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4-estrelas

Título: Estação Onze
Autor: Emily St. John Mandel
Editora: Intrínseca
Ano: 2015

Comprei este livro no fim do ano passado, mas só agora decidi ler. Achei que o timing não poderia ser melhor devido às recentes discussões a respeito de arte, censura, liberdade de expressão etc.

“Estação Onze” é um daqueles livros que causam a famosa ressaca literária. Você fica pensando sobre os personagens e as situações por muito tempo após pausar ou terminar a leitura.

Conversei, inclusive, com a minha psicóloga sobre o que eu faria se estivesse na mesma situação dos personagens: um mundo pós-apocalíptico em que não há nenhum conforto do nosso mundo (como energia elétrica, internet… o conceito de globalização desaparece). Faria o mesmo que o personagem François Diallo.

Meus destaques:

  • Muitos capítulos, do jeito que eu gosto. 55 para ser mais exato.
  • Linha cronológica extremamente interessante. Vai para o passado e volta para o “presente” de uma maneira muito inteligente e que não torna o texto cansativo.
  • Personagens cativantes e profundos. Desde o Arthur, passando pelo Jeevan e terminando na Kirsten. Três personagens bem explorados que te fazem querer saber mais sobre a vida deles.
  • Boas reflexões sobre a nossa vida em sociedade e sua fragilidade. Por vezes não nos damos conta de que somos dependentes uns dos outros (com aquele discurso de que estamos ficando impessoais) e isso fica muito claro na narrativa da autora.
  • Simplicidade na escrita, apesar de tratar de temas filosóficos e artísticos sobre a natureza humana.
  • É um livro recheado de referências à cultura pop. Muito interessante ler citações a Lady Gaga, Calvin e Haroldo e Star Trek em um livro pós-apocalíptico.
  • Bem amarrado: a autora amarra todas as pontas soltas antes do fim do livro. Isso mostra o cuidado com a história.
  • Ler sobre a Sinfonia Itinerante é bom. Em tempos tenebrosos de discussões artísticas descabidas, conhecer personagens que, em meio ao caos, resolvem fazer arte é no mínimo reconfortante.

Vale a pena comprar? Sim. É uma leitura completa: tem drama, tem reflexão sobre a nossa sociedade, tem discussões sobre arte e sobre a fragilidade das nossas relações. Definitivamente, vale a pena ler.


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Resenha:”O Vilarejo” de Raphael Montes

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5-estrelas

Título: O Vilarejo
Autor: Raphael Montes
Editora: Suma de Letras
Ano: 2015

Meu único conhecimento sobre o autor era de uma chamada de lançamento do livro “Jantar Secreto” (que comprarei em breve, sem dúvidas). Quando comecei a ler O Vilarejo, percebi que não era um livro comum. Tinha algo de especial bem ali na minha frente. Isso mudou o jeito que eu li (devorei?) esse livro. Dei até coraçãozinho no Skoob, pra você ter uma ideia.

Formato do livro: Ao criar uma antologia sobre um lugar, o tal vilarejo, Raphael Montes foi inteligente. Ele focou em pontos de vista diferentes, claro, mas também usou uma organização não-linear cronologicamente. Ou seja, as coisas não acontecem na ordem que de fato aconteceram.

No começo do livro, “o tradutor” avisa que não há problema em ler os contos em uma ordem aleatória. De fato isso é possível, mas a ordem em que os contos foram organizados parece perfeita. Acredito que a intenção do autor tenha sido exatamente provocar o leitor a montar a história por si só, como um quebra-cabeça.

É perfeitamente possível, ao fim do livro, montar uma ordem em que as historias poderiam ter acontecido. O fato do autor não ter feito esse trabalho pelo leitor demonstra que ele não subestima a nossa inteligência. Ponto pra ele.

Tamanho: essa foi uma das pouquíssimas vezes em que achei um livro curto demais. Só 96 páginas. Talvez eu tenha gostado tanto que esperei que ao invés de sete contos, houvesse uns dez no mínimo. Mas isso é a minha opinião como leitor apaixonado pela escrita do livro. Como resenhista, mais um ponto pro autor: ele soube exatamente o quanto e do que a história precisava. Perfeito conhecimento da própria obra.

Ritmo de leitura: Surpreendentemente leve. Sério. No começo, quando aqueles nomes estranhos começam a aparecer, meu primeiro pensamento foi o mesmo de A Desumanização: não vou conseguir ler rápido. Engano meu. Devorei tudo no mesmo dia.

Personagens: é importante lembrar que o personagem principal deste livro é o próprio vilarejo, como um todo. As falhas, as loucuras e as corrupções dos moradores são o motor para que tudo aconteça, o tempo todo. Me lembrou em parte os moradores da vila em que A Desumanização é retratada.

Isso é um ponto forte.

Melhores partes: Pensei em destacar e comentar cada um dos sete contos, mas isso ia deixar essa resenha cansativa. E havia o óbvio perigo de dar spoilers da história. Achei melhor perguntar: quais os seus favoritos? Pode comentar aqui nesse post.

Vale a pena comprar? Acho que se eu pudesse pegar o seu cartão de crédito e fazer o pedido, faria agora mesmo. Se você gosta de literatura de adulto, sem bullshit, com objetividade e uma história excelente: compre este livro. Raphael Montes fez a sábia escolha de não subestimar a inteligência do leitor.

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Resenha: “Uma Segunda Opinião” de Fernando Santos Oliveira

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Título: Uma Segunda Opinião
Autor: Fernando Santos Oliveira
Editora: Draco (conheça mais sobre a editora)
Ano: 2013

Essa é apenas a primeira de uma série de resenhas que farei sobre contos e outros materiais curtos que adquiri para o meu Kindle. Esse, curiosamente, foi o que baixei por último, mas decidi colocá-lo na frente da fila (sabe-se lá por que… coisa de leitor).

Formato do conto: A história é sobre uma menina que sente desejo de vingança por colegas de escola. Ponto. Essa afirmativa básica foi uma das coisas que mais me deixou interessado nesse conto. Ele diz a que veio e permanece até o fim com esse mesmo conceito. Textos que mudam o tom para criar subtramas geralmente me deixam desconfortável. Acredito que essa é uma das principais qualidades de contos em geral (e o que me faz preferir esse formato ao romance tradicional).

Tamanho: Apenas 21 páginas.

Ritmo de leitura: “Uma Segunda Opinião” é um conto interessante. Ele se poupa de detalhes inúteis, é direto e tem um formato muito simples. Algumas partes podem ser destacadas, como as descrições de lugares e situações. O único problema é que os diálogos são… pouco-realistas. Tudo parece meio plástico demais.

Talvez não seja precipitado afirmar que suas falhas (não-verossimilhança) vêm diretamente de suas qualidades (simplicidade de texto e objetividade). Não vou me prolongar nesse aspecto.

Sobre o final: interessante. Confesso que estava aguardando algo muito mais espalhafatoso (demônios, espíritos etc). Gostei bastante de como o autor resolveu a história.

Personagens: Como eu disse acima, os diálogos são pouco interessantes. Isso fez com que eu não conseguisse sentir simpatia pelos personagens. Minha opinião sobre as ações dos personagens, entretanto, é muito positiva.

Vale a pena comprar? Sim! O conto está disponível por um preço muito baixo, praticamente simbólico (na data em que estou postando essa resenha, custa apenas R$ 0,99), na Amazon. É uma leitura rápida, perfeita para ler entre o final de um livro e o começo de outro, para dar aquela espairecida.

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Resenha: “Laços de Família” de Clarice Lispector

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Título: Laços de Família
Autor: Clarice Lispector
Editora: Rocco
Ano: 2009 (o original foi publicado em 1960)

Quando comprei meu Kindle, adquiri uma biografia da Clarice Lispector. Desde as aulas de literatura que eu era obrigado a participar no início da minha adolescência, sempre fui fascinado pela pessoa Clarice. Perdi as contas de quantas vezes assisti à (ultima) entrevista da autora no programa Panorama, da TV Cultura.

Clarice me fascina pela sobriedade de sua tristeza e pela plena consciência de sua simplicidade. Por isso adquiri a biografia. Eis aqui o plot twist: até agora nunca tinha lido nenhuma obra da autora. O sentimento de culpa por isso me perseguia, até que decidi começar de uma vez por todas. E comecei bem.

Minha meta é ler grande parte da obra de Clarice antes de ler a sua biografia. Quem sabe assim eu consiga entender um décimo que seja de sua vida.

Formato do livro: É um livro de contos. Treze, para ser exato. O formato de antologia não podia ser mais simples, ou seja, não há muito para ser falado sobre isso.

Tamanho: Curto, com pouco mais de 130 páginas. Como li no Kindle, só consigo imaginar o seu tamanho na edição impressa.

Ritmo de leitura: Confesso que senti medo antes de começar. Pensei ser um daqueles livros curtos que passamos meses lendo, por ser cansativo ou muito rebuscado. Eu não poderia estar mais errado. A leitura de “Laços de Família”, exceto pelo primeiro conto (“Devaneio e embriaguez duma rapariga“) que é deveras complicado de ler, é simples.

A dificuldade vem simplesmente da profundidade das emoções exploradas no texto.

Existe partes em que é preciso ler e reler para entender exatamente o que a autora queria dizer, mas uma vez que você está imerso na história e conhece os personagens, tudo fica mais fácil. Sério. Sensibilidade é a palavra de ordem.

Aliás, algo que devo apontar: li o livro de ontem para hoje. Alguns podem dizer que não absorvi a leitura, ou que fui superficial. Garanto que não é o caso. Essa ressaca literária vai me acompanhar por semanas.

Melhores partes: Eu sofro de ansiedade, então foi fácil ter empatia com os personagens de Clarice. Todos eles sofrem desse mal, de uma forma ou de outra. Isso tornou todos os contos muito importantes para mim. Talvez por isso eu tenha conseguido fazer uma leitura tão rápida.

Consigo destacar os meus preferidos com facilidade: Amor, Uma Galinha, A Imitação da Rosa, Feliz Aniversário, O Jantar, O Crime do Professor de Matemática (esse envolve animais domésticos, um ponto muito fraco da minha personalidade, devo confessar) e O Búfalo.

Vale a pena comprar? Sim! Definitivamente, sim! Se você quer começar a ler Clarice Lispector, comece por aqui. São dramas psicológicos, tristezas, angústias e dores colocadas no papel de uma forma muito bonita. Caso você sofra de ansiedade, pessoalmente recomendo a leitura. Às vezes é essencial assistir os seus problemas como espectador. Se afastar deles para entender melhor como essas coisas funcionam e como podemos tentar resolvê-los.

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Resenha: “A Desumanização” de Valter Hugo Mãe

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5-estrelas

Título: A Desumanização
Autor: Valter Hugo Mãe
Editora: Cosac Naify
Ano: 2014

Antes de tudo quero dizer que minha resenha, por maior que seja, não vai conseguir explicar o que acontece neste livro. Portanto, tentarei dissertar sobre os pontos mais importantes e, ao longo do texto, incluirei frases que chamaram a minha atenção.

“A Desumanização” tem um título forte e que é plenamente justificado no fim da leitura. Depois de todas as curvas e descidas na vida de Halla, vemos que ela levou a sério quando seu pai fala que é possível substituir “vida” por “poesia”. É isso que ela faz durante todo o livro.

Não é um livro fácil. Não é um livro para se devorar em uma sentada. É um livro profundo, feito de imersões na mente e vida da (inocente?) protagonista, Halla, e das pessoas que convivem (ou conviveram) ao seu redor: a mãe, o pai, Sigridur, Einar, Steindór, Thurid e ainda Hilmar e Oskar.

Luto: as dissertações de Halla acerca do sentimento de luto por sua irmã falecida, Sigridur, são belas. A beleza do luto e da depressão descritos pelo autor conseguem ultrapassar a barreira do senso comum de que essas coisas tão ruins tenham alguma beleza. Valter Hugo Mãe consegue tornar bonito e poético até mesmo as coisas mais grotescas, te deixando com uma mistura desagradável de surpresa, tristeza e deslumbre.

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(imagem/Viajar Entre Viagens)

“A ver a imensidão dos fiordes, as montanhas de pedra cortadas por rigor, o movimento nenhum, achei que o mundo mostrava a beleza mas só sabia produzir o horror.” (posição 77-78)

 

Imaginação: por ser narrado por uma criança, é comum que ocorram diversas abstrações sobre as mais diversas coisas. Principalmente quando essas coisas são detalhadas de um ponto de vista abalado pela tristeza e ceticismo. Além disso, no começo do livro, várias dessas abstrações são alimentadas pelo pai de Halla, que é poeta e um leitor nato.

“Punham-se à espreita das águas a perceber se havia movimentos suspeitos. Quase todos queriam ver monstros. Ninguém se convencia de que os mares eram só para animais de clara ciência. Alguns juravam ter visto cabeças levantadas, feitas de dez olhos e bocas de mil dentes. Monstros oceânicos. Viam o oceano como sangue de cristal. Balanceava diante de nós sinuoso, muito belo, mas carregava-se de perigos e sonhava com afogar-nos a todos. O oceano desceu das veias puras de deus. Dizia um velho. Nas veias puras de deus vivem parasitas que são monstros.” (posição 129-133)

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As auroras boreais islandesas também aparecem durante o livro. (imagem/Islandia 24)

“Apertei a moeda. Adormeci à espera que crescesse e me matasse. As moedas eram da família das facas.” (posição 490-491)

Sociedade: durante todo o livro e todos os “altos e baixos” da vida de Halla, a sociedade em que ela está inserida é colocada como a vilã da história. E com razão. Desde o primeiro momento, em que ela perde a irmã e é obrigada a viver com uma mãe perturbada e violenta e é chamada, insensivelmente, de “a irmã menos morta” até as várias situações ruins em que ela se encontra, é possível observar a maneira imprudente que a sociedade lida com as pessoas que estão passando por dificuldades.

A agressão, a rejeição, os xingamentos, parecem ser mais “fáceis” do que simplesmente o acolhimento de Halla.

“A mais morta está abandonada. Puseram-na lá em cima e agora não querem saber. A mais morta, quando apanhar esta do lado de lá, também lhe vai dar muitas no focinho. Deve odiá-la. A mais morta deve odiar a irmã e deve estar à espera que ela tombe de uma vez por todas.” (posição 1179-1181)

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Valter Hugo Mãe (imagem/Rita Rocha)

Leitura: “A Desumanização” é praticamente uma homenagem aos livros e à poesia. É a única escapada possível para a vida turbulenta de Halla (e, por influência dela, da vida de Einar).

“Os livros eram ladrões. Roubavam-nos do que nos acontecia. Mas também eram generosos. Ofereciam-nos o que não nos acontecia.” (posição 482-483)

Também ocorrem diversas abstrações sobre linguagem, literatura e como essas coisas se relacionam com a natureza que ela observa.

“Nenhuma pedra se entende por caracteres. As pedras são entidades absolutamente autónomas às expressões. As pedras recusam a linguagem. Para a linguagem as pedras reclamam o direito de não existir. Se as nomeamos não estamos senão a enganarmo-nos voluntariamente. Às pedras nunca enganaremos. Elas sabem que existem por outros motivos e talvez suspeitem que o nosso desejo de falar seja só um modo menos desenvolvido de encarar a evidência de existir.” (posição 321-325)

Ignorância: sua tia, Thurid, é uma mulher ignorante e que costuma reproduzir discursos inflamados sobre coisas que ela não conhece. Em determinada parte, ela queima livros, cria teorias conspiratórias e discursa sobre uma maldição que acomete escritores. Neste tópico, trago duas citações:

“A mulher urso construía as convicções mais delirantes do mundo. Afirmava que as guerras mundiais não haviam existido. Haviam servido para arregimentar os homens, mandá-los para lugares quentes, dar-lhes fome e sede, para depois levar lhes coca-cola num golpe publicitário sem precedentes. A coca-cola inventara claramente a primeira guerra, servindo-se com cocaína pura para anestesia coletiva da população mundial.” (posição 1372-1375)

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Esta erupção vulcânica faz parte da geleira Eyjafjallajökull. Esta, especificamente, não aparece no livro, mas serve pra ilustrar uma das paisagens narradas por Halla. (imagem/G1)

 

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(imagem/Blog do Arthur Veríssimo)

“Os escritores teriam sempre longas contas para acertar com deus, por se atreverem a deixar as ideias mais perigosas ao serviço dos mal preparados, dos ingénuos, dos sonhadores, dos que errariam em qualquer decisão perante as questões mais elementares. Deus haveria de sentenciar cada texto e cada memória, e todos os escritores seriam triturados entre os seus dedos para caírem como pó no esquecimento do inferno. A nós, competia nada, apenas assear, organizar, obedecer. Não ler, pensei, era como fechar os olhos, fechar os ouvidos, perder sentidos.” (posição 1388-1393)

 


RESUMO:

Por ser um livro publicado em português lusitano, o estilo de Valter Hugo Mãe se torna ainda mais rebuscado. É comum ter que reler diversas vezes o mesmo trecho para captar o que o autor pretendia dizer. Entretanto a beleza de “A Desumanização” é tão necessária, que a dificuldade de leitura torna-se um bom desafio para os leitores mais insistentes (como eu). Quando somos jogados nos fiordes Islandeses, somos afogados com a quantidade de temas extremamente relevantes tratados na obra. É até surpreendente que um autor tenha conseguido tratar de tudo isso, sem forçar a barra, em menos de 200 páginas. É o tamanho mais uma vez provando que não é documento.

Já considero “A Desumanização” de Valter Hugo Mãe um clássico da literatura.

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