Resenha: “E Não Sobrou Nenhum” de Agatha Christie

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4-estrelas

Título: E Não Sobrou Nenhum
Autor: Agatha Christie
Editora: Globo Livros
Ano: 2014

Lembro que há alguns anos comprei um box de livros da Agatha Christie da editora Nova Fronteira. A edição era ruim, de papel branco e daquelas brochuras que estalam quando abrimos. Por esses motivos, dos três livros, li apenas “Assassinato do Expresso do Oriente” e passei o box adiante. Lembro que não gostei tanto assim, talvez por causa da experiência de leitura.

Por esses motivos, tive certa resistência em começar a ler “E Não Sobrou Nenhum”. O motivo principal para eu ter decidido dar uma nova chance à obra de Agatha Christie foi este excelente (e persuasivo) vídeo da Isabella Lubrano do canal Ler Antes de Morrer.

Meus destaques:

  • A trama é diferente do clássico “detetive investiga quem é o assassino”. Nesse caso não existe um detetive. O livro tenta instigar a curiosidade do leitor fazendo-o investigar por si mesmo.
  • Personagens com histórias e personalidades bem definidas: a maioria dos personagens tem um background relevante e que não necessariamente é revelado de cara. É interessante ir conhecendo os personagens aos poucos.
  • Não há personagens (pelo menos pra mim) que causem simpatia. Isto é um ponto muito importante para o desenvolvimento da história.
  • Boa tradução da Globo Livros: apesar de manter certo grau de dificuldade (pela época e contexto que o livro foi escrito), o texto é bastante compreensível. Não precisei fazer mais do que duas ou três buscas no dicionário do Kindle.
  • Claustrofóbico e confuso: até o último capítulo é praticamente impossível saber a identidade do assassino ou se sequer existe um assassino.
  • Leitura rápida: como cheguei a comentar no Twitter, em poucas horas li 40% do livro.

Vale a pena comprar? Sim. É uma história que te faz querer ler o próximo capítulo e não parar mais. Isso já é o suficiente para tornar uma história de mistério boa e divertida.

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Resenha: “Guia Politicamente Incorreto da Economia Brasileira” de Leandro Narloch

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4-estrelas

Título: Guia Politicamente Incorreto da Economia Brasileira
Autor: Leandro Narloch
Editora: Leya
Ano: 2015

Posso dizer que adquiri o gosto por livros de economia. Como vocês devem saber, escrevi recentemente uma resenha de “Crash” e foi ele que abriu a minha cabeça para o assunto. Ainda sob efeito do Kindle Unlimited, decidi ler o “Guia Politicamente Incorreto da Economia Brasileira” para tentar aprender mais algumas coisas (e devo dizer que funcionou).

Em diversas partes, achei o “Guia” muito parecido com “Crash”. Principalmente no que diz respeito ao tipo de linguagem utilizada e ao formato informal de ensinar. Isso é uma coisa boa, claro.

É um daqueles livros que você faz dezenas de marcações, o que significa que tem várias passagens interessantes.

Meus destaques:

  • Linguagem acessível e leitura rápida. Se vocês souberem de mais livros sobre economia com esse formato, aceito indicações.
  • Conceitos são dissecados: coisas como “esforço”, “recompensa” e “produtividade” (p. 2021) ficam muito mais claros quando observados de um ponto de vista liberal.
  • Assuntos polêmicos: No livro, são discutidos diversos assuntos polêmicos como a relação de demografia X desigualdade, programas assistenciais, (a irrelevância) dos sindicatos, rent-seeking, “bolsas menos divulgadas” e, claro, privatização. Veja respectivamente nas posições 735, 1066, 2114, 777, 857 e 2475.

Imagine uma pessoa que quebra as suas pernas e logo depois dá a você um par de muletas, dizendo “veja, se não fosse por mim, você não seria capaz de andar”. É mais ou menos assim a ação do Estado brasileiro na pobreza e na desigualdade. Ele concede privilégios a grandes empresários, mantém aposentadorias milionárias, torna os produtos do supermercado mais caros para os pobres e obriga todo trabalhador a investir numa conta que reajusta menos que a inflação. Depois, como se nada tivesse acontecido, se diz muito preocupado com os pobres, e anuncia um programa de transferência de renda para reduzir a miséria e a desigualdade que ele próprio criou. (posição 956)

  • Livre mercado: Quando o autor discorre sobre a relação entre a clandestinidade e o livre mercado, vemos exemplos práticos de regulações equivocadas e doentias por parte do governo. Temos uma aula simplificada sobre oferta e demanda.

O mercado negro é uma forma de se livrar dos controles do governo”, dizia o economista Milton Friedman. “É claro que seria bom se todos obedecessem à lei. O fato de o mercado negro desobedecer à lei é um ponto contra ele. Mas isso só acontece porque existem leis ruins. (posição 1295).

  • “A economia lida com pessoas reais.” Ponto.

Vale a pena comprar? Sim. É mais um livro de leitura necessária, útil para entender o turbilhão de informações em que estamos inseridos. Dei 4 estrelas pois, se alguém me perguntasse qual deveria escolher, entre “Crash” e esse, ainda escolheria o primeiro. De qualquer forma, livros como esse são muito importantes. Sem academicismos, fica um pouquinho mais fácil entender o mundo.

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Resenha: “Crash – Uma Breve História da Economia” de Alexandre Versignassi

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5-estrelas

Título: Crash – Uma Breve História da Economia
Autor: Alexandre Versignassi
Editora: Leya
Ano: 2015 (primeira edição de 2011)

Não lembro a última vez que li um livro sobre economia. Nem sequer lembro se alguma vez li algum livro sobre Economia. De uma forma ou de outra, a melhor decisão que tomei esse ano foi dar uma chance a “Crash” de Alexandre Versignassi. Isso se deu, claro, à minha excelente aquisição: Kindle Unlimited (se você acha Netflix legal, imagine só ter uma Netflix de livros).

Depois que abandonei “Uma Vida Pequena” (nem vou começar a falar sobre isso; muitas expectativas frustradas), eu queria fugir de dramas. Nada melhor do que ler algo mais real, certo? Certíssimo.

É importante dizer que esse livro é simplesmente perfeito para todos aqueles que, como eu, não sabem quase nada sobre o assunto.

Meus destaques:

  • Recebeu atualização: o livro foi publicado pela primeira vez em 2011, mas recebeu uma atualização em 2015. Ou seja, não é tão datado assim. Pra quem tem Kindle é ainda melhor, nesse caso.
  • Linguagem fácil: Acredito que por ser um diretor de redação da Super, Versignassi é bem humorado quando fala de coisas sérias. Isso ajuda a tornar Economia algo mais… tragável. Na posição 3155 o autor explica sobre neuroeconomia e utiliza nomes de duplas sertanejas para ilustrar. Sim. (Mais exemplos em 138, 383, 1138 e 3053);
  • Histórias interessantes: o autor faz mais do que falar sobre Economia. Ele é um contador de histórias interessantes, como a que abre o livro (uma história sobre o mercado de flores na Holanda). Assim como Esopo, sempre fica uma moral no final. Ou não.
  • Curiosidades aleatórias (?): quando você menos espera, o autor surge com uma exemplificação muito abstrata mas extremamente interessante. Isso dá inúmeros fôlegos na leitura. (Exemplos em: 1286, 1982, 2154 e 3068).
  • Ordem cronológica: Versignassi segue a ordem cronológica da história da Economia mundial, então isso torna o entendimento ainda mais claro.
  • Utilidade: quando o autor disserta sobre impostos, livre mercado, inflação, investimentos, bolsa de valores, títulos públicos e várias outras coisas é fácil ter uma noção desses conceitos. Tudo parece tão difícil para quem não entende, mas quando ele esmiúça o assunto, tudo fica tão simples.

Vale a pena comprar? Claro que sim! É um livro relativamente barato e que, acredite, você vai se sentir bem informado depois de ler (ou devorar, como eu fiz). Vale a pena ter na estante, seja do Kindle ou física.

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Resenha: “Histórias de Amor” de Rubem Fonseca

 

4-estrelas

Título: Histórias de Amor
Autor: Rubem Fonseca
Editora: Nova Fronteira
Ano: 2012 (a primeira edição é de 1997)

Quem conversar 10 minutos comigo vai perceber a rapidez com que eu insiro Rubem Fonseca nas minhas conversas. Já até falei sobre ele aqui no blog. Talvez por eu gostar tanto dos livros dele e por ter lido tantos em um ano (este é o nono até agora), estou ficando um pouco mais “exigente”. Acho que essa é a palavra errada, pois eu leria qualquer coisa do Fonseca e é praticamente impossível que eu ache algo ruim.

Agora sobre Histórias de Amor.

Esse é um daqueles títulos irônicos que, se eu já não conhecesse o estilo do Fonseca, até acreditaria. Farei agora breves comentários sobre os melhores contos. 
“Betsy”: logo no primeiro conto já entendemos que o amor anunciado no título não precisa ser necessariamente de humano pra humano. Pra mim, é algo novo vindo do autor. Esse é o menor conto de todos e o meu preferido deste livro. Me afetou pessoalmente.

“Cidade de Deus” é incrível. É um daqueles contos que se alguém me mostrasse sem dizer que era do Fonseca, eu saberia na mesma hora. O que mais me divertiu foi a seguinte passagem:

Antes de dormir ela perguntou, “você fez aquilo que eu pedi?”
“Faço o que prometo, amorzinho. Mandei meu pessoal pegar o menino quando ele ia para o colégio e levar para a Cidade de Deus. De madrugada quebraram os braços, e as pernas do moleque, estrangularam, cortaram ele todo e depois jogaram na porta da casa da mãe. Esquece essa merda, não quero mais ouvir falar nesse assunto”, disse Zinho.

“Família”, “O anjo da guarda”, “Viagem de núpcias” e “O amor de Jesus no coração” são ótimos, com todas as escatologias e finais inesperados que o autor utiliza de maneira tão característica. 

O único conto que considerei menos interessante foi “Carpe Diem”. É o mais longo do livro, mas também o mais repetitivo. É repleto de referências de literatura e cinema, mas nem isso me fez gostar dele.

Li em menos de um dia no Kindle, mas a leitura rápida já é algo que podemos esperar do autor. De qualquer forma, “Histórias de Amor” é um bom livro. Talvez não para quem queira começar a ler a obra do Rubem Fonseca, mas para os já iniciados na literatura do mesmo.

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Resenha: “Angosta” de Héctor Abad

 5-estrelas

Título: Angosta
Autor: Héctor Abad
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2015

“A capital deste curioso lugar do planeta se chama Angosta. Com exceção do clima, que é perfeito, tudo em Angosta está errado. Poderia ser o paraíso, mas se transformou num inferno.” (posição 5088, última página do livro)

“Angosta” poderia ser uma série de TV. Acredito que uma adaptação para filme seria pouco. Acontece muita coisa o tempo todo nesse livro.

É um romance distópico. É um livro político. É uma crítica social. É um livro sobre pessoas. Angosta é muitas coisas, e, ao contrário desses monstros de Frankenstein que a gente vê por aí, faz tudo isso sem parecer um amontoado de coisas disformes.

“Os livros, nessa cidade estreita e sitiada, eram o único refúgio deles, o oásis arcádico no meio do deserto, a música silenciosa que os tirava do mundo da fúria, do terror e da competição” (posição 4048)

A escrita de Héctor Abad foi uma das coisas que mais me surpreendeu neste livro. Apesar de parecer um pouco presunçosa à primeira vista, consegue se manter no mesmo ritmo da primeira página até a última. A prosa de Abad é uma das melhores (senão a melhor) que já li. As reflexões, principalmente as do personagem Andrés Zuleta, são excelentes.

“Quero fazer com ela, com ela e com ela, com Virginia, com esse fogo vivo, com seu olhar duplo, contraditório e único, só com ela, que eu amo, embora odeie profundamente o verbo amar, tão surrado que só por escrevê-lo você já parece um imbecil.” (posição 3797)

O autor também tem uma qualidade, a meu ver, positiva que vi em poucos autores até hoje: a velocidade que o texto muda de algo muito rebuscado ou até poético para algo muito coloquial. Aqui devo apontar o excelente trabalho da tradutora Rubia Prates Goldoni.

“Colaboraê, tio, colaboraê” (posição 2649)

Um dos recursos interessantíssimos desse livro é que os (muitos) personagens são inseridos na história, mas a descrição deles vem em notas de rodapé. Se você está lendo em um Kindle ou similar, terá um ritmo de leitura leve e deveras interessante. Em um dos capítulos, o autor quebra a quarta parede e pede para que o leitor pule esta parte pois pode ser enfadonha e seus editores chegaram a pedir que ele retirasse do livro. Nesse mesmo capítulo (que não tem nada de enfadonho) vemos críticas muito divertidas sobre autores como Paulo Coelho:

“Em La Cuña já temos a obra completa de Coelho repetida três vezes, e ela quase enche uma parede. É como se todo mundo quisesse se desfazer dos seus livros depois de comprá-los. São como cascos vazios de Coca-Cola: em toda casa sempre tem algum.” (posição 2762)

Para finalizar, de maneira curta e grossa, “Angosta” é um Livro com L maiúsculo. Daqueles que a gente lê devagar pra entrar na vibe. Virou, sem dúvidas, um dos melhores que já li.

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