Resenha: “Ácido, Amargo e Triste” de Maud Epascolato

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Título: Ácido, Amargo e Triste
Autor: Maud Epascolato
Editora: INDIE 6
Ano: 2016

Esse é o segundo conto de Maud Epascolato que senti a necessidade de resenhar aqui no blog. O primeiro foi “Querida Mari”. De qualquer forma, li os dois contos no mesmo dia. Além da capa muito legal (será uma referência a “O Oceano no Fim do Caminho”?), por diversos motivos, preferi esse do que o outro, diga-se de passagem.

“Meu travesseiro parecia ter sido confeccionado com pedras, as mesmas que poderiam ter colidido com a cabeça de Laís. Mas não. Eram joelhos. Milhares deles batendo em minha cabeça e me fazendo despertar no meio da madrugada como se fossem martelos. Em vez de desmaiar com as pancadas, eu acordava e sentia as dores de continuar viva carregando aquele fardo dentro do peito.”

Meus destaques:

  • O conto é baseado na música “Acid, Bitter & Sad” da banda This Mortal Coil. É interessante saber disso antes de começar a leitura.
  • É um ótimo conto, muito criativo e bem escrito.
  • Tem uma história completa, bem amarrada e personagens com profundidade.
  • A escritora aborda a natureza das relações familiares problemáticas através de um enredo instigante.
  • Formato que alterna entre sonho, realidade, memórias e frustrações.
  • É mais uma boa “leitura de meio” da autora.

Vale a pena comprar? Sim! Vale muito a leitura que é rápida e muito instigante. É mais uma “leitura de meio” que considero satisfatória.


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Resenha: “A Órbita” de Carlos E. A. Ramírez

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Título: A Órbita
Autor: Carlos E. A. Ramírez
Editora: Cattle Corner histórias
Ano: 2016

Mais uma obra que achei enterrada no meu Kindle. Baixei vários contos como esse (e os da Maud Epascolato) que estavam lá esperando para serem lidos. Não conhecia o autor, mas decidi dar uma chance.

“Mesmo que aqui ainda seja árido, frio, vermelho e hostil, nós sempre fomos e sempre seremos o planeta Terra.”

Meus destaques:

  • Tem uma escrita ágil. Realmente ágil.
  • O conto busca trazer uma reflexão sobre os ciclos em que a história humana está condenada a passar. É bom ter uma oportunidade de refletir sobre esses aspectos nesse momento do nosso país.
  • Descobertas e redescobertas morais, religiosas, científicas e políticas acontecem em diversos momentos da história.
  • A trama é curta, mas com um grande pulo de tempo no meio. Para mim, tornou a história artificial demais (eu sei que é “ficção científica”, mas não justifica).
  • Merecia ter uma história melhor explorada (o que provavelmente significaria algumas páginas a mais).

Vale a pena comprar? Depende. Se você quer ler algo simples, rápido mas sem muitas complicações (de enredo, de personalidade dos personagens etc.) pode ler. Se preferir algo diferente, existem outras leituras que podem te agradar mais (tenho várias dicas aqui no blog).


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Resenha: “Depois a Louca Sou Eu” de Tati Bernardi

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Título: Depois a Louca Sou Eu
Autor: Tati Bernardi
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2016

Descobri esse livro por acaso. Já tinha ouvido falar da Tati Bernardi de algumas colunas na Folha de S. Paulo e achei que valeria a pena começar a leitura.

Depois que li “Alucinadamente Feliz”, estive à procura de um livro sobre transtornos mentais que tratasse o assunto de uma maneira inusitada (misturando humor e drama nos momentos certos). Achei em “Depois a Louca Sou Eu” uma boa obra que preencheu esses requisitos de maneira exemplar.

“Meu amigo, se você é bizarro, saiba três coisas. (E lá vem momentinho autoajuda, péssimo, mas…) Uma: você não está sozinho. Duas: você é um cara legal, pode acreditar. Três: as pessoas rasas são mais felizes, mas elas nem sentem isso de verdade porque são rasas, então não vale.” 

Meus destaques:

  • Encontrei incríveis semelhanças com “Alucinadamente Feliz“. Seria ainda melhor se tivesse ilustrações ou fotos que enriquecessem a história como no caso da obra de Jenny Lawson;
  • Tem muitas referências à cultura pop brasileira: desde a “Sexta Sexy” da Band, passando por séries da Globo e até mesmo Sílvio Santos;
  • É um bom espelho. Digo isso da maneira mais direta possível. Como millennial, posso me identificar com uma narradora problemática e deveras hipocondríaca. E devo dizer que é um espelho em que vemos até mesmo os menores defeitos de nossas próprios medos e inseguranças;
  • Tive crisos de riso no ônibus. Isso já é um bom medidor de humor. É um livro triste mas é engraçado (os melhores livros de comédia são assim, certo?);
  • É um livro que gera empatia. Era comum eu me pegar dizendo “eu te entendo…” pra Tati.
  • Os melhores capítulos são: “Vinte charutinhos”, “Eu não desmaio, dr. Guido” e “Pânico na firma”. Há outros em que a autora disserta sobre remédios, rituais do cotidiano, ataques de pânico e muitas fobias: a avião, a patas de barata, a vomitar, a cheiros, a festas, a lugares fechados, a Ano-Novo, etc;
  • Me identifiquei com esse livro pois, assim como ela, eu também achei na literatura um cano de escape para os meus probleminhas aparentemente incontroláveis. Ler e escrever me acalmam e me deixam em um estado de domínio sobre minha ansiedade.

Vale a pena comprar? Definitivamente sim. Se você tiver alguns desses problemas, pode ser que o livro seja um trigger bem pesado pois as descrições são intensas. Mas é muito bem escrito e tem uma leitura muito ágil. Com certeza entrou no ranking das melhores leituras do ano.


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Resenha: “Querida Mari” de Maud Epascolato

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Título: Querida Mari
Autor: Maud Epascolato
Editora: INDIE 6
Ano: 2013

Geralmente tento não colocar resenhas de contos aqui no blog e sim no Instagram. Dessa vez, porém, eu acabei descobrindo dois contos de Maud Epascolato no meu Kindle e resolvi lê-los de uma vez. Nessa semana e em outras no próximo mês, teremos resenhas de contos tanto dela quanto de outro autor.

Meus destaques:

  • Final aberto a interpretações. Essa é uma das características que me fazem adorar contos. A possibilidade de deixar um final em aberto na maioria dos casos. Esse não escapa dessa tendência.
  • Boa escrita, não é cansativo. O estilo de Maud é bastante marcante. É simples de ler e te dá vontade de continuar lendo, independente da história.
  • História um pouco previsível. Bem previsível. Talvez seja essa a maior falha.
  • Uma boa “leitura de meio” para ler entre livros. Já falei sobre isso aqui no blog e já citei diversos contos que preenche esse requisito.
  • O personagem Edgar é de longe o mais interessante. Queria ler mais sobre ele.
  • O conto, além de ser curto, é dividido em pequenos capítulos, o que é particularmente positivo.

Vale a pena comprar? Talvez. É uma “leitura de meio” melhor do que a média, apesar de ser previsível.


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Resenha: “Acerto de Contas – Treze Histórias de Crime e Nova Literatura Latino-Americana” de vários autores

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Título: Acerto de Contas – Treze Histórias de Crime e Nova Literatura Latino-Americana
Autor: Daniel Galera (Org.)
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2017

Achei este livro por acaso enquanto navegava na internet. Além da capa linda que chamou a minha atenção na hora, gostei muito da temática da antologia. Decidi, então, dar uma chance.

Não conhecia nenhum dos autores publicados nessa antologia, mas tenho certeza que voltarei a ler obras de alguns deles no futuro.

  • No começo, a leitura fluiu muito rápido (cheguei à metade em poucos dias, então fiquei empacado no conto “1986”. Depois que finalmente terminei esse, a leitura fluiu bem mais rapidamente).
  • Meus favoritos são
    • “A cara” de Santiago Roncagliolo: conto divertido, tem bastante ironia e um bom final.
    • “O menino sujo” de Mariana Enriquez: é incrível a habilidade da autora de descrever violência e de nos fazer ficar tão obcecados pela história quanto ela pelo menino sujo.
    • “Cadelas” de Jorge Enrique Lage: esse é o tipo de conto que eu gosto de ler. Formato de escrita diferenciado e com final mind fuck. Personagens interessantes.
    • “Tentar lembrar” de Alejandro Zambra: conto metalinguístico com uma historia muito triste e forte sobre uma musa inspiradora do autor, Yasna.
    • “O sol dos cegos” de Joca Reiners Terron: conto sobre uma corrupção absurda que até parece ficção, mas acontece cotidianamente.
    • “Emunctórios” Rodrigo Blanco Calderón: é um conto estranho, escatológico, porém de leitura fluida.
    • “Cavalos na fumaça” de Carol Bensimon: um dos melhores do livro. Criativo e atual.
  • O livro, em grande parte, é bem escrito. As histórias são contadas em diversos países, então podemos conhecer um pouco da cultura de cada um deles. Claro que muitas vezes esses pontos de vista são bem parciais, mas faz parte.
  • Não é um livro leve, posso dizer com segurança.
  • Antologias podem se tornar cansativas muito rápido. Logo após a metade do livro, senti como se o ritmo tivesse mudado (para mais lento), deixando a leitura deveras cansativa (quando você tem aquele sentimento de “só quero terminar logo”.

Vale a pena comprar? Sim. Tenho uma base de avaliação muito clara: se metade dos contos de uma antologia foram bons, então a compra vale a pena. Em “Acerto de Contas”, temos 13 contos dos quais gostei de 7. É uma leitura divertida, no fim das contas.


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Resenha: “A Confraria dos Espadas” de Rubem Fonseca

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Título: A Confraria dos Espadas
Autor: Rubem Fonseca
Editora: Nova Fronteira
Ano: 2014 (primeira edição de 1998)

Nas resenhas do Gatilho, eu sempre começo com uma introdução especial que explica a minha relação com o autor ou com o livro (se houver). Acho que no caso do Rubem eu não preciso escrever muita coisa, vocês que acompanham o blog já sabem a minha opinião sobre ele. Li esse livro em março e boa parte dessa resenha estava nos arquivos do blog. Resolvi publicá-la agora.

Confraria é uma antologia de oito contos no melhor estilo do autor. Muitas pessoas, no Skoob, falam que é mais do mesmo, mas eu discordo. Na verdade, discordo completamente.

Todos os oito contos são bons, alguns deles são muito bons. Nas 144 páginas é possível achar muita criatividade na violência e nas situações de uma forma que foi praticamente impossível, pelo menos pra mim, parar de ler.

Meus destaques:

  • “Livre arbítrio”, “Anjo das Marquises”, “O Vendedor de Seguros”, “A Confraria dos Espadas” são de longe os melhores (e mais peculiares) contos do livro.
  • Diversos formatos compõem o livro: desde a prosa normal, outro apenas de diálogos e até um escrito como roteiro de teatro.
  • Inteligente. Como todos os livros do Rubem. Veja o conto “À maneira de Godard”.
  • Curto. Com apenas 144 páginas não dá tempo de enjoar.

Vale a pena comprar? Sou suspeito pra falar, mas SIM. Considero esse um ótimo livro de “transição” (aqueles livros/contos que “aliviam” sua cabeça depois de um romance normal).

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Resenha: “Guia Politicamente Incorreto da Economia Brasileira” de Leandro Narloch

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Título: Guia Politicamente Incorreto da Economia Brasileira
Autor: Leandro Narloch
Editora: Leya
Ano: 2015

Posso dizer que adquiri o gosto por livros de economia. Como vocês devem saber, escrevi recentemente uma resenha de “Crash” e foi ele que abriu a minha cabeça para o assunto. Ainda sob efeito do Kindle Unlimited, decidi ler o “Guia Politicamente Incorreto da Economia Brasileira” para tentar aprender mais algumas coisas (e devo dizer que funcionou).

Em diversas partes, achei o “Guia” muito parecido com “Crash”. Principalmente no que diz respeito ao tipo de linguagem utilizada e ao formato informal de ensinar. Isso é uma coisa boa, claro.

É um daqueles livros que você faz dezenas de marcações, o que significa que tem várias passagens interessantes.

Meus destaques:

  • Linguagem acessível e leitura rápida. Se vocês souberem de mais livros sobre economia com esse formato, aceito indicações.
  • Conceitos são dissecados: coisas como “esforço”, “recompensa” e “produtividade” (p. 2021) ficam muito mais claros quando observados de um ponto de vista liberal.
  • Assuntos polêmicos: No livro, são discutidos diversos assuntos polêmicos como a relação de demografia X desigualdade, programas assistenciais, (a irrelevância) dos sindicatos, rent-seeking, “bolsas menos divulgadas” e, claro, privatização. Veja respectivamente nas posições 735, 1066, 2114, 777, 857 e 2475.

Imagine uma pessoa que quebra as suas pernas e logo depois dá a você um par de muletas, dizendo “veja, se não fosse por mim, você não seria capaz de andar”. É mais ou menos assim a ação do Estado brasileiro na pobreza e na desigualdade. Ele concede privilégios a grandes empresários, mantém aposentadorias milionárias, torna os produtos do supermercado mais caros para os pobres e obriga todo trabalhador a investir numa conta que reajusta menos que a inflação. Depois, como se nada tivesse acontecido, se diz muito preocupado com os pobres, e anuncia um programa de transferência de renda para reduzir a miséria e a desigualdade que ele próprio criou. (posição 956)

  • Livre mercado: Quando o autor discorre sobre a relação entre a clandestinidade e o livre mercado, vemos exemplos práticos de regulações equivocadas e doentias por parte do governo. Temos uma aula simplificada sobre oferta e demanda.

O mercado negro é uma forma de se livrar dos controles do governo”, dizia o economista Milton Friedman. “É claro que seria bom se todos obedecessem à lei. O fato de o mercado negro desobedecer à lei é um ponto contra ele. Mas isso só acontece porque existem leis ruins. (posição 1295).

  • “A economia lida com pessoas reais.” Ponto.

Vale a pena comprar? Sim. É mais um livro de leitura necessária, útil para entender o turbilhão de informações em que estamos inseridos. Dei 4 estrelas pois, se alguém me perguntasse qual deveria escolher, entre “Crash” e esse, ainda escolheria o primeiro. De qualquer forma, livros como esse são muito importantes. Sem academicismos, fica um pouquinho mais fácil entender o mundo.

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