Resenha: “Depois a Louca Sou Eu” de Tati Bernardi

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Título: Depois a Louca Sou Eu
Autor: Tati Bernardi
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2016

Descobri esse livro por acaso. Já tinha ouvido falar da Tati Bernardi de algumas colunas na Folha de S. Paulo e achei que valeria a pena começar a leitura.

Depois que li “Alucinadamente Feliz”, estive à procura de um livro sobre transtornos mentais que tratasse o assunto de uma maneira inusitada (misturando humor e drama nos momentos certos). Achei em “Depois a Louca Sou Eu” uma boa obra que preencheu esses requisitos de maneira exemplar.

“Meu amigo, se você é bizarro, saiba três coisas. (E lá vem momentinho autoajuda, péssimo, mas…) Uma: você não está sozinho. Duas: você é um cara legal, pode acreditar. Três: as pessoas rasas são mais felizes, mas elas nem sentem isso de verdade porque são rasas, então não vale.” 

Meus destaques:

  • Encontrei incríveis semelhanças com “Alucinadamente Feliz“. Seria ainda melhor se tivesse ilustrações ou fotos que enriquecessem a história como no caso da obra de Jenny Lawson;
  • Tem muitas referências à cultura pop brasileira: desde a “Sexta Sexy” da Band, passando por séries da Globo e até mesmo Sílvio Santos;
  • É um bom espelho. Digo isso da maneira mais direta possível. Como millennial, posso me identificar com uma narradora problemática e deveras hipocondríaca. E devo dizer que é um espelho em que vemos até mesmo os menores defeitos de nossas próprios medos e inseguranças;
  • Tive crisos de riso no ônibus. Isso já é um bom medidor de humor. É um livro triste mas é engraçado (os melhores livros de comédia são assim, certo?);
  • É um livro que gera empatia. Era comum eu me pegar dizendo “eu te entendo…” pra Tati.
  • Os melhores capítulos são: “Vinte charutinhos”, “Eu não desmaio, dr. Guido” e “Pânico na firma”. Há outros em que a autora disserta sobre remédios, rituais do cotidiano, ataques de pânico e muitas fobias: a avião, a patas de barata, a vomitar, a cheiros, a festas, a lugares fechados, a Ano-Novo, etc;
  • Me identifiquei com esse livro pois, assim como ela, eu também achei na literatura um cano de escape para os meus probleminhas aparentemente incontroláveis. Ler e escrever me acalmam e me deixam em um estado de domínio sobre minha ansiedade.

Vale a pena comprar? Definitivamente sim. Se você tiver alguns desses problemas, pode ser que o livro seja um trigger bem pesado pois as descrições são intensas. Mas é muito bem escrito e tem uma leitura muito ágil. Com certeza entrou no ranking das melhores leituras do ano.


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Resenha: “Acerto de Contas – Treze Histórias de Crime e Nova Literatura Latino-Americana” de vários autores

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Título: Acerto de Contas – Treze Histórias de Crime e Nova Literatura Latino-Americana
Autor: Daniel Galera (Org.)
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2017

Achei este livro por acaso enquanto navegava na internet. Além da capa linda que chamou a minha atenção na hora, gostei muito da temática da antologia. Decidi, então, dar uma chance.

Não conhecia nenhum dos autores publicados nessa antologia, mas tenho certeza que voltarei a ler obras de alguns deles no futuro.

  • No começo, a leitura fluiu muito rápido (cheguei à metade em poucos dias, então fiquei empacado no conto “1986”. Depois que finalmente terminei esse, a leitura fluiu bem mais rapidamente).
  • Meus favoritos são
    • “A cara” de Santiago Roncagliolo: conto divertido, tem bastante ironia e um bom final.
    • “O menino sujo” de Mariana Enriquez: é incrível a habilidade da autora de descrever violência e de nos fazer ficar tão obcecados pela história quanto ela pelo menino sujo.
    • “Cadelas” de Jorge Enrique Lage: esse é o tipo de conto que eu gosto de ler. Formato de escrita diferenciado e com final mind fuck. Personagens interessantes.
    • “Tentar lembrar” de Alejandro Zambra: conto metalinguístico com uma historia muito triste e forte sobre uma musa inspiradora do autor, Yasna.
    • “O sol dos cegos” de Joca Reiners Terron: conto sobre uma corrupção absurda que até parece ficção, mas acontece cotidianamente.
    • “Emunctórios” Rodrigo Blanco Calderón: é um conto estranho, escatológico, porém de leitura fluida.
    • “Cavalos na fumaça” de Carol Bensimon: um dos melhores do livro. Criativo e atual.
  • O livro, em grande parte, é bem escrito. As histórias são contadas em diversos países, então podemos conhecer um pouco da cultura de cada um deles. Claro que muitas vezes esses pontos de vista são bem parciais, mas faz parte.
  • Não é um livro leve, posso dizer com segurança.
  • Antologias podem se tornar cansativas muito rápido. Logo após a metade do livro, senti como se o ritmo tivesse mudado (para mais lento), deixando a leitura deveras cansativa (quando você tem aquele sentimento de “só quero terminar logo”.

Vale a pena comprar? Sim. Tenho uma base de avaliação muito clara: se metade dos contos de uma antologia foram bons, então a compra vale a pena. Em “Acerto de Contas”, temos 13 contos dos quais gostei de 7. É uma leitura divertida, no fim das contas.


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Resenha: “Estação Onze” de Emily St. John Mandel

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Título: Estação Onze
Autor: Emily St. John Mandel
Editora: Intrínseca
Ano: 2015

Comprei este livro no fim do ano passado, mas só agora decidi ler. Achei que o timing não poderia ser melhor devido às recentes discussões a respeito de arte, censura, liberdade de expressão etc.

“Estação Onze” é um daqueles livros que causam a famosa ressaca literária. Você fica pensando sobre os personagens e as situações por muito tempo após pausar ou terminar a leitura.

Conversei, inclusive, com a minha psicóloga sobre o que eu faria se estivesse na mesma situação dos personagens: um mundo pós-apocalíptico em que não há nenhum conforto do nosso mundo (como energia elétrica, internet… o conceito de globalização desaparece). Faria o mesmo que o personagem François Diallo.

Meus destaques:

  • Muitos capítulos, do jeito que eu gosto. 55 para ser mais exato.
  • Linha cronológica extremamente interessante. Vai para o passado e volta para o “presente” de uma maneira muito inteligente e que não torna o texto cansativo.
  • Personagens cativantes e profundos. Desde o Arthur, passando pelo Jeevan e terminando na Kirsten. Três personagens bem explorados que te fazem querer saber mais sobre a vida deles.
  • Boas reflexões sobre a nossa vida em sociedade e sua fragilidade. Por vezes não nos damos conta de que somos dependentes uns dos outros (com aquele discurso de que estamos ficando impessoais) e isso fica muito claro na narrativa da autora.
  • Simplicidade na escrita, apesar de tratar de temas filosóficos e artísticos sobre a natureza humana.
  • É um livro recheado de referências à cultura pop. Muito interessante ler citações a Lady Gaga, Calvin e Haroldo e Star Trek em um livro pós-apocalíptico.
  • Bem amarrado: a autora amarra todas as pontas soltas antes do fim do livro. Isso mostra o cuidado com a história.
  • Ler sobre a Sinfonia Itinerante é bom. Em tempos tenebrosos de discussões artísticas descabidas, conhecer personagens que, em meio ao caos, resolvem fazer arte é no mínimo reconfortante.

Vale a pena comprar? Sim. É uma leitura completa: tem drama, tem reflexão sobre a nossa sociedade, tem discussões sobre arte e sobre a fragilidade das nossas relações. Definitivamente, vale a pena ler.


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Resenha: “O Fantasma de Canterville” de Oscar Wilde

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Título: O Fantasma de Canterville
Autor: Oscar Wilde
Editora: Sicidea
Ano: 2011

Comecei a ler esse livro em uma lista de livros curtos para ler em um dia. Já começou errado pois acabei arrastando a leitura por uns 3 dias no mínimo.

Minha experiência com Oscar Wilde não é muito ampla. Quando eu estava na escola li uma edição de “O Retrato de Dorian Gray” que achei na biblioteca. Lembro que gostei muito, principalmente do filme de 2009 (dir. Oliver Parker).

Por esses motivos, achei que fosse gostar de “O Fantasma de Canterville”. Estava um pouco enganado.

Meus destaques:

  • A crítica à sociedade inglesa (e suas crendices) e aos americanos (pelo materialismo e infinitos produtos milagrosos) são para mim as únicas coisas positivas que extraio dessa obra.
  • Existe a possibilidade de eu não ter gostado dessa história por causa da tradução. Imagino que a da Leya (ou até a da L&PM) seja melhor, mas não vou ler de novo para ter certeza. Uma vez foi mais do que o suficiente.
  • Não consegui entender a razão pela qual as pessoas falam que tiveram pena do fantasma ou que se identificaram com ele… Achei o personagem chato. E não era um chato legal, era só chato mesmo.
  • Até entendo os motivos para gostar desse livro. É uma leitura simples que não dispendia muito esforço e acho que, em um livro bem editado, com ilustrações legais, deva ser uma experiência legal. Não foi o que aconteceu comigo, no caso.

Vale a pena comprar? Não. Minha dica pessoal é: se você quer começar a ler Oscar Wilde, providencie uma edição de “O Retrato de Dorian Gray”. E assista ao filme também. Bem melhor.

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Resenha: “O Grande Gatsby” de F. Scott Fitzgerald

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Título: O Grande Gatsby
Autor:
 F. Scott Fitzgerald
Editora: Leya
Ano: 2013

Mais uma vez fui influenciado a ler uma obra por dica do canal “Ler Antes de Morrer”. Devo comentar que eu já era obcecado pelo filme e pela trilha sonora lá em 2013 (assisti algumas várias vezes no cinema e várias outras no conforto de minha casa).

Lembro que surtei muito no Twitter quando o filme de Baz Luhrmann levou os (merecidíssimos) Oscars de “Melhor Figurino” e “Melhor Direção de Arte”. Por esses motivos, não foi um sacrifício começar a leitura e entrar no clima do livro.

Recomendo que você, antes de ler, procure na internet algumas referências de roupas e arquitetura dessa época. Se você não se importa com spoilers, veja o filme.

Meus destaques:

  • Não é um clássico à toa: a obra mistura com maestria uma narrativa fácil com um lirismo não-pretensioso.
  • História viciante: é difícil largar “O Grande Gatsby” antes de terminar o capítulo.
  • Personagens: poucos e memoráveis personagens fazem com que a trama nunca fique parada. Jay Gatsby é um dos personagens mais profundos que tive o prazer de ler.
  • Diálogos: Nick Carraway, o narrador, constantemente conduz conversas interessantes com os outros convidados. Por vezes ele observa e comenta com sutil ironia.
  • “(…) Gosto de grandes festas. São tão íntimas. Em festas pequenas não há nenhuma privacidade.” (p. 52)
  • Final realista: é bem fácil fazer um paralelo contemporâneo com a quantidade de amigos que temos em redes sociais e a verdadeira quantidade que temos na realidade.
  • Boa edição da Leya: o livro é leve, com páginas e tipografia confortáveis. Tem muitas (e por vezes desnecessárias) notas que podem te ajudar a entender melhor as referências do autor.

Vale a pena comprar? Sim! A leitura de “O Grande Gatsby” é gostosa. Apesar dos pesares, dá vontade de ter vivido as incríveis festas dadas pelo Jay. É um daqueles clássicos que facilmente seriam best-sellers nos dias atuais.

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Resenha: “E Não Sobrou Nenhum” de Agatha Christie

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Título: E Não Sobrou Nenhum
Autor: Agatha Christie
Editora: Globo Livros
Ano: 2014

Lembro que há alguns anos comprei um box de livros da Agatha Christie da editora Nova Fronteira. A edição era ruim, de papel branco e daquelas brochuras que estalam quando abrimos. Por esses motivos, dos três livros, li apenas “Assassinato do Expresso do Oriente” e passei o box adiante. Lembro que não gostei tanto assim, talvez por causa da experiência de leitura.

Por esses motivos, tive certa resistência em começar a ler “E Não Sobrou Nenhum”. O motivo principal para eu ter decidido dar uma nova chance à obra de Agatha Christie foi este excelente (e persuasivo) vídeo da Isabella Lubrano do canal Ler Antes de Morrer.

Meus destaques:

  • A trama é diferente do clássico “detetive investiga quem é o assassino”. Nesse caso não existe um detetive. O livro tenta instigar a curiosidade do leitor fazendo-o investigar por si mesmo.
  • Personagens com histórias e personalidades bem definidas: a maioria dos personagens tem um background relevante e que não necessariamente é revelado de cara. É interessante ir conhecendo os personagens aos poucos.
  • Não há personagens (pelo menos pra mim) que causem simpatia. Isto é um ponto muito importante para o desenvolvimento da história.
  • Boa tradução da Globo Livros: apesar de manter certo grau de dificuldade (pela época e contexto que o livro foi escrito), o texto é bastante compreensível. Não precisei fazer mais do que duas ou três buscas no dicionário do Kindle.
  • Claustrofóbico e confuso: até o último capítulo é praticamente impossível saber a identidade do assassino ou se sequer existe um assassino.
  • Leitura rápida: como cheguei a comentar no Twitter, em poucas horas li 40% do livro.

Vale a pena comprar? Sim. É uma história que te faz querer ler o próximo capítulo e não parar mais. Isso já é o suficiente para tornar uma história de mistério boa e divertida.

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Resenha: “Buracos Negros” de Stephen Hawking

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Título: Buracos Negros
Autor: Stephen Hawking
Editora: Intrínseca
Ano: 2017

Eu adoro esse tipo de leitura em que viajo em coisas científicas. Eu realmente adoro. Principalmente coisas relativas ao espaço.

Apesar dessas teorias serem provadas e refutadas constantemente com inúmeros cálculos, algo extremamente interessante para mim é imaginar esses conceitos. Sinto como se minha mente expandisse um pouco sempre que leio e assisto coisas desse assunto. Uma das séries que mais me marcou exatamente por esse motivo foi “Cosmos – a Spacetime Odissey”, narrada e apresentada pelo incrível Neil deGrasse Tyson.

Por essas razões, decidi dar uma chance para “Buracos Negros”. Esta resenha provavelmente será tão curta quanto a leitura do livro foi.

Meus destaques:

  • Pouquíssimas páginas: o livro é uma adaptação de uma série de palestras da BBC Reith Lectures. Eram palestras curtas, por esse motivo o livro tem poucas páginas. 64 na versão impressa, para ser mais exato.
  • Ilustrado com imagens úteis (apesar de bem humoradas). Tem referências desde Shakespeare, passando por Interestelar até Breaking Bad e ajudam a entender conceitos como singularidade, horizonte de eventos e dimensões.
  • Bem humorado: o humor de Hawking (e do Shukman) é inteligente e merece ser destacado. A frase final do livro é muito interessante.
  • Feito para amadores: Hawking já é conhecido pelos comentários e textos acessíveis para pessoas leigas. Trazendo conceitos complicados como os que já citei anteriormente, ele consegue explicar tudo de maneira compreensível.
  • Deixa mais perguntas que respostas: algo que me incomodou (o que não é necessariamente algo ruim) é a ausência de respostas e
  • As notas de David Shukman, editor de ciências da BBC caem muito bem como um complemento ao texto de Hawking e têm explicações simples que tornam o livro ainda mais acessível.

Vale a pena comprar? Depende. É um livro curto que traz alguns conceitos relativos ao título. Não espere grandes explicações e respostas sobre o universo. Entretanto, se você gosta de refletir sobre o universo e as possibilidades infinitas que existem (ou não) e no que elas podem influenciar, pode ler. É rapidinho e é divertido.

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