Resenha: “No Sufoco” de Chuck Palahniuk

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Título: No Sufoco
Autor: Chuck Palahniuk
Editora: Leya
Ano: 2015

Só Deus sabe há quanto tempo que eu queria fazer essa resenha. Passei literalmente anos paquerando esse livro e acho que não poderia ter lido em época melhor.

Ler Chuck Palahniuk sempre é uma experiência muito positiva. Além de poder aproveitar uma bela narrativa, suas obras sempre têm muito conteúdo informativo sobre as bizarrices do mundo. Torna tudo ainda mais legal.

Sem ter acesso ao verdadeiro caos, nunca teremos paz de verdade. A não ser que tudo fique pior, nada vai ficar melhor.

Meus destaques:

  • Como eu disse anteriormente, os livros de Palahniuk sempre contém muita informação sobre as mais aleatórias (e estranhas) particularidades. É como ler um “Guia dos Curiosos infernal”. E isso é estranhamente bom.
  • Algo que Palahniuk sempre se empenha é na construção dos personagens. Nenhum deles é exatamente o que você pensa. Todos têm camadas e camadas de personalidade que são descobertas durante a leitura. O protagonista, Victor Mancini, é um poço de inseguranças e problemas psicológicos. Bem interessante de acompanhar.
  • Não é um livro fácil. Loucura e sanidade mental são temas recorrentes. É importante que sua mente esteja aberta para a imersão que o autor propõe.
  • O livro tem tramas paralelas bem desenvolvidas (como o amigo do Victor, Denny, que carrega pedras incessantemente para lidar com seu vício em sexo). Isso demonstra o trabalho que Chuck teve em lapidar o livro da forma mais completa possível, na minha opinião.
  • Meu “No Sufoco” está repleto de post-its, o que significa que tem inúmeras passagens intrigantes.

Vale a pena comprar? Definitivamente, sim! “No Sufoco” é um daqueles livros que te fazem viajar numa imersão completa. É uma história maluca, violenta, pesada e incrível. Do jeito que toda obra do Chuck Palahniuk tem que ser.


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Resenha: “Neuromancer” de William Gibson

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Título: Neuromancer
Autor: William Gibson
Editora: Aleph
Ano: 2016 (5ª edição)

Poucas vezes fiquei tão feliz com um presente quanto no dia que ganhei o box da Trilogia do Sprawl. A leitura de Neuromancer (pelo menos a primeira metade) foi bastante longa e exaustiva. Levei cerca de quatro meses para terminar — lendo outros livros paralelamente para resenhar no blog, como vocês sabem.

Alguma coisa escura estava se formando no núcleo do programa chinês. A densidade de informações sobrepujava o tecido da matrix, disparando imagens hipnagógicas. Tênues ângulos caleidoscópicos centravam-se num ponto focal preto e prata. Case viu símbolos infantis de mal e de azar caírem rolando ao longo de planos translúcidos: suásticas, caveiras e ossos cruzados, dados com olhos serpente piscando. Se ele olhasse diretamente para aquele ponto nulo, nenhum contorno se formaria. Ele precisou de uma dezena de olhadas periféricas rápidas antes de descobrir o que era: uma espécie de tubarão, reluzindo como obsidiana, os espelhos negros de seus flancos refletindo luzes distantes, fracas, que não tinham nenhuma relação com a matrix ao redor.

Meus destaques:

  • Pare de se preocupar em entender cada palavra. Quando você descobre o jeito certo de ler “Neuromancer”, a leitura voa. É igual a “Laranja Mecânica” nesse sentido. A intenção é te levar para um futuro em que você, obviamente, não conhece muita coisa. Então, é importante ter isso em mente: leia, mas não se apegue a cada detalhezinho (você provavelmente vai abandonar a leitura se fizer isso).
  • Leia essa resenha aqui antes de começar a leitura e toda vez que pensar em desistir. Tem umas ilustrações e explicações interessantes que podem te inspirar.
  • A cena da luta de gladiadores holográficos é bem imersiva. Você se sente lá no meio de um monte de gente.
  • A editora Aleph arrasou na edição (o que já é hábito da editora, diga-se de passagem). Destaque merecido.
  • A trama tem muitos personagens, lugares e descrições. Por vezes, isso se torna cansativo, mas uma vez que você se acostuma, começa a entender a importância das descrições.
  • É um livro psicodélico. Com uma estética cyberpunk e uma narrativa diferente, é comum interromper a leitura com uma interrogação estampada na cara.
  • A tradução de Neuromancer é exemplar. Não li o livro em inglês, apenas algumas partes, mas imagino que a tradução tenha dado bastante trabalho. E seguiu o conceito proposto pelo autor.
  • O final é… interessante. Por Neuromancer ser uma história fechada (apesar de ter continuações), o final fica em aberto. Mas é justo. Algo que beira uma alucinação, mas tem um sentido.

Vale a pena comprar? Sim! É um clássico de social (science) fiction com críticas inteligentes sobre a nossa relação com a tecnologia e como ela é inevitável. Além de discutir diversos aspectos da natureza humana como a vida em sociedade e filosofia. É uma leitura bem importante, no fim das contas.


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Resenha: “O Grande Gatsby” de F. Scott Fitzgerald

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Título: O Grande Gatsby
Autor:
 F. Scott Fitzgerald
Editora: Leya
Ano: 2013

Mais uma vez fui influenciado a ler uma obra por dica do canal “Ler Antes de Morrer”. Devo comentar que eu já era obcecado pelo filme e pela trilha sonora lá em 2013 (assisti algumas várias vezes no cinema e várias outras no conforto de minha casa).

Lembro que surtei muito no Twitter quando o filme de Baz Luhrmann levou os (merecidíssimos) Oscars de “Melhor Figurino” e “Melhor Direção de Arte”. Por esses motivos, não foi um sacrifício começar a leitura e entrar no clima do livro.

Recomendo que você, antes de ler, procure na internet algumas referências de roupas e arquitetura dessa época. Se você não se importa com spoilers, veja o filme.

Meus destaques:

  • Não é um clássico à toa: a obra mistura com maestria uma narrativa fácil com um lirismo não-pretensioso.
  • História viciante: é difícil largar “O Grande Gatsby” antes de terminar o capítulo.
  • Personagens: poucos e memoráveis personagens fazem com que a trama nunca fique parada. Jay Gatsby é um dos personagens mais profundos que tive o prazer de ler.
  • Diálogos: Nick Carraway, o narrador, constantemente conduz conversas interessantes com os outros convidados. Por vezes ele observa e comenta com sutil ironia.
  • “(…) Gosto de grandes festas. São tão íntimas. Em festas pequenas não há nenhuma privacidade.” (p. 52)
  • Final realista: é bem fácil fazer um paralelo contemporâneo com a quantidade de amigos que temos em redes sociais e a verdadeira quantidade que temos na realidade.
  • Boa edição da Leya: o livro é leve, com páginas e tipografia confortáveis. Tem muitas (e por vezes desnecessárias) notas que podem te ajudar a entender melhor as referências do autor.

Vale a pena comprar? Sim! A leitura de “O Grande Gatsby” é gostosa. Apesar dos pesares, dá vontade de ter vivido as incríveis festas dadas pelo Jay. É um daqueles clássicos que facilmente seriam best-sellers nos dias atuais.

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Resenha: “Buracos Negros” de Stephen Hawking

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Título: Buracos Negros
Autor: Stephen Hawking
Editora: Intrínseca
Ano: 2017

Eu adoro esse tipo de leitura em que viajo em coisas científicas. Eu realmente adoro. Principalmente coisas relativas ao espaço.

Apesar dessas teorias serem provadas e refutadas constantemente com inúmeros cálculos, algo extremamente interessante para mim é imaginar esses conceitos. Sinto como se minha mente expandisse um pouco sempre que leio e assisto coisas desse assunto. Uma das séries que mais me marcou exatamente por esse motivo foi “Cosmos – a Spacetime Odissey”, narrada e apresentada pelo incrível Neil deGrasse Tyson.

Por essas razões, decidi dar uma chance para “Buracos Negros”. Esta resenha provavelmente será tão curta quanto a leitura do livro foi.

Meus destaques:

  • Pouquíssimas páginas: o livro é uma adaptação de uma série de palestras da BBC Reith Lectures. Eram palestras curtas, por esse motivo o livro tem poucas páginas. 64 na versão impressa, para ser mais exato.
  • Ilustrado com imagens úteis (apesar de bem humoradas). Tem referências desde Shakespeare, passando por Interestelar até Breaking Bad e ajudam a entender conceitos como singularidade, horizonte de eventos e dimensões.
  • Bem humorado: o humor de Hawking (e do Shukman) é inteligente e merece ser destacado. A frase final do livro é muito interessante.
  • Feito para amadores: Hawking já é conhecido pelos comentários e textos acessíveis para pessoas leigas. Trazendo conceitos complicados como os que já citei anteriormente, ele consegue explicar tudo de maneira compreensível.
  • Deixa mais perguntas que respostas: algo que me incomodou (o que não é necessariamente algo ruim) é a ausência de respostas e
  • As notas de David Shukman, editor de ciências da BBC caem muito bem como um complemento ao texto de Hawking e têm explicações simples que tornam o livro ainda mais acessível.

Vale a pena comprar? Depende. É um livro curto que traz alguns conceitos relativos ao título. Não espere grandes explicações e respostas sobre o universo. Entretanto, se você gosta de refletir sobre o universo e as possibilidades infinitas que existem (ou não) e no que elas podem influenciar, pode ler. É rapidinho e é divertido.

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Resenha: “Histórias Extraordinárias” de Edgar Allan Poe

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Título: Histórias Extraordinárias
Autor: Edgar Allan Poe
Editora: Nova Fronteira (Saraiva de Bolso)
Ano: 2016

“Histórias Extraordinárias” foi mais um exemplo de livros que me pegaram de surpresa. Claro que eu já conhecia o Edgar Allan Poe pois eu costumava ler alguns de seus contos na internet (como “O Gato Preto” e “O Crime da Rua Morgue”) ainda na adolescência. Entretanto, por algum motivo que desconheço, apenas recentemente comprei esse livro (achei o preço razoável e vocês devem saber que eu gosto das edições de bolso da Saraiva).

Tenho também no meu Kindle uma compilação da obra completa do Poe em inglês. Não sei quando lerei, mas será em breve.

Meus destaques:

  • Quebra de quarta parede: a primeira coisa que percebi, sem dúvidas alguma, foi essa interação do autor com o leitor. Para entender ainda melhor: é como se fosse um amigo problemático escrevendo uma carta e te contando histórias.
  • Tradutora exemplar: uma das coisas que me convenceu a comprar essa edição foi a tradução de Clarice Lispector. É possível enxergar o estilo dela nos textos. Tornou a experiência ainda melhor e mais sombria.
  • Boa seleção: o livro tem 18 contos e menos de 140 páginas. A qualidade das histórias juntamente com a rapidez da leitura tornam esse livro muito bom.
  • Meus favoritos: “O gato preto”, “A máscara da morte rubra”, “O caso do Valdemar”, “Enterro prematuro”, “Os crimes da rua Morgue”, “A queda da Casa de Usher”, “Os dentes de Berenice”, “William Wilson”, “O coração denunciador”, “O Diabo no campanário”, “O barril de Amontillado” e “Metzengerstein”. Ou seja, poucos ficaram de fora.

Vale a pena comprar? Vale! Se você tem vontade de começar ler Edgar Allan Poe, apenas comece. A leitura é simples e aterrorizante. A edição da Saraiva também é muito boa.

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Resenha: “As Seis Lições” de Ludwig von Mises

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Título: As Seis Lições
Autor: Ludwig Von Mises
Editora: Instituto Mises Brasil
Ano: 2016 (7ª ed.)

Recebi a indicação desse livro da minha amiga Isabella (que costumava escrever matérias bem delicadas pro GATILHO) devido ao meu recente interesse em livros de economia. Como disse, é recente. Tudo que comento aqui é do ponto de vista de um leigo que não sabe nada e ainda tá tentando parar em pé nesse furacão de informação.

A Isa faz Economia, então eu fiquei meio receoso que pudesse ser um livro denso. Mas ela garantiu que esse era de leitura fácil e que eu ia gostar. E ela acertou.
Meus destaques:

  • Livro curto. Tem apenas 106 páginas, o que é particularmente atrativo pra um livro que trata de assuntos complexos.
  • Dividido em seis partes: O livro é adaptado de uma série de palestras do autor em Buenos Aires no ano de 1959. Os capítulos tem os nomes de: “O Capitalismo”, “O Socialismo”, “O Intervencionismo”, “A Inflação”, “Investimento Externo” e “Política e Ideias”.
  • Entra no hall de Crash e Guia Politicamente Incorreto da Economia Brasileira de livros acessíveis para entender economia e também o ponto de vista da escola austríaca. Ainda bem que tive sorte com isso em todas as leituras até agora.
  • Leitura objetiva. Sem muitos rodeios e academicismos, o autor é objetivo no que quer explicar. Isso torna a leitura bastante agradável.
  • Contextualização histórica: quem gostava das aulas de história na escola, vai curtir esse livro. Mais do que jogar informações, ele contextualiza.

Vale a pena comprar? Sim! Os motivos eu já explicitei acima. E, mesmo se não quiser comprar, o PDF da obra está disponível no site do Instituto Mises Brasil. Então não tem desculpa, hein?

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Resenha: “Alucinadamente Feliz” de Jenny Lawson

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Título: Alucinadamente Feliz
Autor: Jenny Lawson
Editora: Intrínseca
Ano: 2016

Gosto de livros de comédia do mesmo jeito que gosto de fazer exercícios: acho laborioso começar, mas uma vez que passo dessa etapa, fica mais fácil. O último que lembro de ter lido foi “Selva de Gafanhotos”.

Esse livro me fez gargalhar no ônibus. Quando a Jenny narra uma visita à ginecologista ainda no começo do livro eu devo dizer que gritei de rir. E todos olharam pra mim. Jenny Lawson não está satisfeita em passar vergonha sozinha, ela quer que você passe também (e a sensação é estranhamente boa). Me lembrou muito o estilo do meu blog favorito: Improbabilidade Infinita.

É importante dizer que eu me identifiquei muito com a obra de Jenny. Ela me lembra muito uma amiga que adora contar histórias engraçadas só pra ver a minha reação (que geralmente é uma crise de riso sem fim), então esse provavelmente é mais uma razão para eu ter achado um livro tão hilário. Se você não tem a sorte de ter uma amiga louca e palhaça, Jenny Lawson pode preencher esse espaço perfeitamente.

Olha só que capa mais linda de “Alucinadamente Feliz” da Jenny Lawson! #book #bookstagram #furiouslyhappy

A post shared by GATILHO (@portalgatilho) on Jul 24, 2017 at 3:16pm PDT

 

Definitivamente entrou na minha lista de favoritos. Com certeza voltarei a ler outras vezes (e já estou querendo comprar o primeiro livro da autora, “Vamos Fazer de Conta que Isso Nunca Aconteceu”). Aceito presentes, desde que não seja uma sacola de plástico com gatos mortos dentro.

Meus destaques:

  • Ensaios aleatórios sobre coisas aleatórias: esse é o ponto principal do livro. Em um capítulo ela fala sobre rascunhos nas notas do celular, em outro sobre guaxinins empalhados, outro sobre vasos sanitários japoneses, em outro fala sobre coalas com clamídia. Sim.
  • Traz um debate sobre transtornos mentais de uma maneira inteligente. Sem pedantismo, ela é séria quando precisa e engraçada quando acha necessário. Se você tem algum dos transtornos citados por ela, com certeza vai se sentir compreendido.
  • Leve: acredito que por vir da internet (a autora é blogueira), os capítulos são bem curtos, com raras exceções. Li o livro inteiro em menos de uma semana (enquanto intercalava com Deuses Americanos, vale constar).
  • É realmente engraçado. Se você é como eu e tem uma tendência a histórias e piadas absurdas, vai amar esse livro.
  • Ilustrado: enquanto Jenny conta as histórias, mostra fotos e torna tudo ainda mais hilário. A imagem da piscina vazia me fez literalmente chorar de rir.
  • Muitas referências: Harry Potter, Keeping Up With The Kardashians, Hobbit, Saga Crepúsculo e muitas outras. Tudo misturado.
  • Acho que nunca coloquei tantos post-its em um livro. Se você gosta de marcar passagens, pode comprar que é garantia de citações incríveis.
  • O último capítulo e o epílogo. Talvez por eu estar em uma fase estranha da minha vida (em que o conceito de “fracasso” frequentemente vem à minha mente) esses capítulos foram muito importantes pra mim.

Vale a pena comprar? Sim! Como ela mesma pede, vou deixar aqui registrado que achei esse livro “revolucionário” e acho que você deveria comprar “uma dúzia de livros para todo mundo que você conhece”.

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