Resenha: “Ácido, Amargo e Triste” de Maud Epascolato

51l2byxhgsxl

4-estrelas

Título: Ácido, Amargo e Triste
Autor: Maud Epascolato
Editora: INDIE 6
Ano: 2016

Esse é o segundo conto de Maud Epascolato que senti a necessidade de resenhar aqui no blog. O primeiro foi “Querida Mari”. De qualquer forma, li os dois contos no mesmo dia. Além da capa muito legal (será uma referência a “O Oceano no Fim do Caminho”?), por diversos motivos, preferi esse do que o outro, diga-se de passagem.

“Meu travesseiro parecia ter sido confeccionado com pedras, as mesmas que poderiam ter colidido com a cabeça de Laís. Mas não. Eram joelhos. Milhares deles batendo em minha cabeça e me fazendo despertar no meio da madrugada como se fossem martelos. Em vez de desmaiar com as pancadas, eu acordava e sentia as dores de continuar viva carregando aquele fardo dentro do peito.”

Meus destaques:

  • O conto é baseado na música “Acid, Bitter & Sad” da banda This Mortal Coil. É interessante saber disso antes de começar a leitura.
  • É um ótimo conto, muito criativo e bem escrito.
  • Tem uma história completa, bem amarrada e personagens com profundidade.
  • A escritora aborda a natureza das relações familiares problemáticas através de um enredo instigante.
  • Formato que alterna entre sonho, realidade, memórias e frustrações.
  • É mais uma boa “leitura de meio” da autora.

Vale a pena comprar? Sim! Vale muito a leitura que é rápida e muito instigante. É mais uma “leitura de meio” que considero satisfatória.


Clique aqui para ver opções de Kindles.

Anúncios

Resenha: “Acerto de Contas – Treze Histórias de Crime e Nova Literatura Latino-Americana” de vários autores

3-estrelas

Título: Acerto de Contas – Treze Histórias de Crime e Nova Literatura Latino-Americana
Autor: Daniel Galera (Org.)
Editora: Companhia das Letras
Ano: 2017

Achei este livro por acaso enquanto navegava na internet. Além da capa linda que chamou a minha atenção na hora, gostei muito da temática da antologia. Decidi, então, dar uma chance.

Não conhecia nenhum dos autores publicados nessa antologia, mas tenho certeza que voltarei a ler obras de alguns deles no futuro.

  • No começo, a leitura fluiu muito rápido (cheguei à metade em poucos dias, então fiquei empacado no conto “1986”. Depois que finalmente terminei esse, a leitura fluiu bem mais rapidamente).
  • Meus favoritos são
    • “A cara” de Santiago Roncagliolo: conto divertido, tem bastante ironia e um bom final.
    • “O menino sujo” de Mariana Enriquez: é incrível a habilidade da autora de descrever violência e de nos fazer ficar tão obcecados pela história quanto ela pelo menino sujo.
    • “Cadelas” de Jorge Enrique Lage: esse é o tipo de conto que eu gosto de ler. Formato de escrita diferenciado e com final mind fuck. Personagens interessantes.
    • “Tentar lembrar” de Alejandro Zambra: conto metalinguístico com uma historia muito triste e forte sobre uma musa inspiradora do autor, Yasna.
    • “O sol dos cegos” de Joca Reiners Terron: conto sobre uma corrupção absurda que até parece ficção, mas acontece cotidianamente.
    • “Emunctórios” Rodrigo Blanco Calderón: é um conto estranho, escatológico, porém de leitura fluida.
    • “Cavalos na fumaça” de Carol Bensimon: um dos melhores do livro. Criativo e atual.
  • O livro, em grande parte, é bem escrito. As histórias são contadas em diversos países, então podemos conhecer um pouco da cultura de cada um deles. Claro que muitas vezes esses pontos de vista são bem parciais, mas faz parte.
  • Não é um livro leve, posso dizer com segurança.
  • Antologias podem se tornar cansativas muito rápido. Logo após a metade do livro, senti como se o ritmo tivesse mudado (para mais lento), deixando a leitura deveras cansativa (quando você tem aquele sentimento de “só quero terminar logo”.

Vale a pena comprar? Sim. Tenho uma base de avaliação muito clara: se metade dos contos de uma antologia foram bons, então a compra vale a pena. Em “Acerto de Contas”, temos 13 contos dos quais gostei de 7. É uma leitura divertida, no fim das contas.


Clique aqui para ver opções de Kindles.

Resenha: “O Culto” de D. A. Potens

 

O Culto (Frontal) Resolução Alta.jpg

 

Título: O Culto
Autor: D. A. Potens
Editora: publicação independente
Ano: 2017

Gosto de ler obras de autores independentes. Gosto de poder falar sobre o que autores (geralmente desconhecidos) como eu tem para mostrar. Há muita coisa acontecendo fora da bolha das grandes editoras e acho que isso merece ser divulgado.

Recentemente, tuitei o seguinte:

 

Já temos alguns livros independentes na fila de resenhas. Agora é só esperar.

Sobre D. A. Potens: ele é um autor muito presente nas redes sociais e já tem diversos materiais auto-publicados. A divulgação que ele está fazendo pra obra dele é algo que eu jamais pensaria em desenvolver pras minhas Historinhas.

Recebi a obra antes do lançamento, portanto, essa resenha é em primeiríssima mão.

Se você ainda não o conhece, agora é a hora. Conheça “O Culto”.

Meus destaques:

  • Descrição explícita de violência. É um slasher movie só que em formato de livro. Inclusive essa é uma referência citada no prefácio. Me identifiquei particularmente com esse tópico pois meu estilo de escrita é bastante parecido.
  • A trama consiste em uma série de sonhos do narrador. Isso permite que a história siga uma cronologia diferente.
  • É um livro de horror. Não comece a ler se você não gosta deste gênero. O medo e a brutalidade vão te perseguir da primeira página até a última.
  • É um daqueles livros que você acaba o capítulo e começa a ler o outro imediatamente. Sem sequer perceber. E isso é muito bom.
  • Li o livro em poucas horas, isso demonstra que a escrita flui.
  • É um livro doido. Sério. Fora da casinha.
  • A ambientação é um dos grandes destaques da obra. Potens consegue te fazer viajar sem sair do lugar.
  • Algo que me incomodou é que nenhum dos personagens me causou simpatia. É fácil detestar todos. Tudo bem eles serem personagens odiosos, mas é possível fazer gostar de personagens odiosos.
  • Aparentemente o livro terá uma continuação. Se você gosta de acompanhar séries: vai fundo.

Você pode ler o primeiro capítulo NESTE LINK e fazer a compra do livro na pré-venda NESTE LINK (o autor promete uma edição autografada por ele e pela cabra, com frete incluso e marca-páginas).

No dia 01/11 o e-book estará disponível para venda na Amazon.

Resenha: “E Não Sobrou Nenhum” de Agatha Christie

51ngu7lb6xl-_sx331_bo1204203200_

4-estrelas

Título: E Não Sobrou Nenhum
Autor: Agatha Christie
Editora: Globo Livros
Ano: 2014

Lembro que há alguns anos comprei um box de livros da Agatha Christie da editora Nova Fronteira. A edição era ruim, de papel branco e daquelas brochuras que estalam quando abrimos. Por esses motivos, dos três livros, li apenas “Assassinato do Expresso do Oriente” e passei o box adiante. Lembro que não gostei tanto assim, talvez por causa da experiência de leitura.

Por esses motivos, tive certa resistência em começar a ler “E Não Sobrou Nenhum”. O motivo principal para eu ter decidido dar uma nova chance à obra de Agatha Christie foi este excelente (e persuasivo) vídeo da Isabella Lubrano do canal Ler Antes de Morrer.

Meus destaques:

  • A trama é diferente do clássico “detetive investiga quem é o assassino”. Nesse caso não existe um detetive. O livro tenta instigar a curiosidade do leitor fazendo-o investigar por si mesmo.
  • Personagens com histórias e personalidades bem definidas: a maioria dos personagens tem um background relevante e que não necessariamente é revelado de cara. É interessante ir conhecendo os personagens aos poucos.
  • Não há personagens (pelo menos pra mim) que causem simpatia. Isto é um ponto muito importante para o desenvolvimento da história.
  • Boa tradução da Globo Livros: apesar de manter certo grau de dificuldade (pela época e contexto que o livro foi escrito), o texto é bastante compreensível. Não precisei fazer mais do que duas ou três buscas no dicionário do Kindle.
  • Claustrofóbico e confuso: até o último capítulo é praticamente impossível saber a identidade do assassino ou se sequer existe um assassino.
  • Leitura rápida: como cheguei a comentar no Twitter, em poucas horas li 40% do livro.

Vale a pena comprar? Sim. É uma história que te faz querer ler o próximo capítulo e não parar mais. Isso já é o suficiente para tornar uma história de mistério boa e divertida.

Clique aqui para ver opções de Kindles.

Resenha: “Histórias Extraordinárias” de Edgar Allan Poe

download.jpg

4-estrelas

Título: Histórias Extraordinárias
Autor: Edgar Allan Poe
Editora: Nova Fronteira (Saraiva de Bolso)
Ano: 2016

“Histórias Extraordinárias” foi mais um exemplo de livros que me pegaram de surpresa. Claro que eu já conhecia o Edgar Allan Poe pois eu costumava ler alguns de seus contos na internet (como “O Gato Preto” e “O Crime da Rua Morgue”) ainda na adolescência. Entretanto, por algum motivo que desconheço, apenas recentemente comprei esse livro (achei o preço razoável e vocês devem saber que eu gosto das edições de bolso da Saraiva).

Tenho também no meu Kindle uma compilação da obra completa do Poe em inglês. Não sei quando lerei, mas será em breve.

Meus destaques:

  • Quebra de quarta parede: a primeira coisa que percebi, sem dúvidas alguma, foi essa interação do autor com o leitor. Para entender ainda melhor: é como se fosse um amigo problemático escrevendo uma carta e te contando histórias.
  • Tradutora exemplar: uma das coisas que me convenceu a comprar essa edição foi a tradução de Clarice Lispector. É possível enxergar o estilo dela nos textos. Tornou a experiência ainda melhor e mais sombria.
  • Boa seleção: o livro tem 18 contos e menos de 140 páginas. A qualidade das histórias juntamente com a rapidez da leitura tornam esse livro muito bom.
  • Meus favoritos: “O gato preto”, “A máscara da morte rubra”, “O caso do Valdemar”, “Enterro prematuro”, “Os crimes da rua Morgue”, “A queda da Casa de Usher”, “Os dentes de Berenice”, “William Wilson”, “O coração denunciador”, “O Diabo no campanário”, “O barril de Amontillado” e “Metzengerstein”. Ou seja, poucos ficaram de fora.

Vale a pena comprar? Vale! Se você tem vontade de começar ler Edgar Allan Poe, apenas comece. A leitura é simples e aterrorizante. A edição da Saraiva também é muito boa.

Clique aqui para ver opções de Kindles.

Resenha: “Deuses Americanos” de Neil Gaiman

61njel75ful-_sx339_bo1204203200_

3-estrelas

Título: Deuses Americanos
Autor: Neil Gaiman
Editora: Conrad
Ano: 2011 (há uma nova edição publicada pela Íntrínseca recentemente)

Difícil.

Foi difícil terminar de ler este livro. Não sei nem por onde começar.

É fácil, existe um truque para aguentar, ou você descobre ou morre. (p. 346)

Comecei a ler este livro em março. Ou seja, passei quase seis meses lendo “Deuses Americanos”. Claro que li vários livros paralelamente a esse (pra fazer a boa e velha leitura de capítulos alternados).

Eu tinha uma boa ligação com o Neil Gaiman, confesso. Talvez por esse motivo eu tenha me forçado a continuar a leitura ao invés de simplesmente abandonar e ler, vocês sabem… Livros mais legais. Gaiman deu uma virada nas minhas leituras adolescentes quando devorei “Coisas Frágeis 1 e 2” (e, claro, obriguei todos os meus amigos da época a lerem). Eu também era apaixonado por “Stardust – O Mistério da Estrela” (assisti o filme e li o livro inúmeras vezes; inclusive, ainda assisto quando passa na Globo), que fique registrado. Não vou comentar “O Oceano no Fim do Caminho” pois achei decepcionante em vários aspectos.

Cansado. Foi assim que fiquei com a leitura desse livro. Capítulos enormes e cheios de enrolação davam a impressão que eu não estava andando na leitura. Achei que fosse ficar mais animado com o lançamento da série; infelizmente, apesar de ser belíssima, não ajudou muito nesse quesito.

Claro que o livro tem coisas boas, afinal é Neil Gaiman. O cara sabe descrever coisas espetaculares de uma maneira simples e ao mesmo tempo imersiva. O capítulo 15, em que Shadow fica preso a uma árvore, é um exemplo disso. Nos capítulos em que Gaiman escreve histórias fora do núcleo Shadow/Wednesday é possível ver como o livro é profundo e bom.

Meus destaques:

  • Como eu disse anteriormente, Neil Gaiman sabe descrever. Isso é uma faca de dois gumes, na prática. Pode ser muito imersivo ou muito cansativo.
  • O livro é uma viagem. Sério. Os personagens nunca ficam parados no mesmo lugar por muito tempo. É interessante conhecer coisas novas através de livros.
  • Reflexões. Sobre vida, morte, fé, velhice, hábitos modernos, relacionamentos, ética etc.
  • É uma novela. Muita coisa acontece. Muita. Muita. Acho que é humanamente impossível lembrar de tudo quando se chega no final do livro.
  • Com toda certeza as minhas partes preferidas de “Deuses Americanos” são os flashbacks ou cenas paralelas. Infelizmente não são muitas.
  • Shadow é um protagonista meio irritante. Só lendo pra saber.
  • O final é satisfatório. Não há nenhum plot twist chocante (o que eu esperava muio, juro), mas é ok. Descobrimos algumas coisas sobre Wednesday, mas nada demais.

Vale a pena comprar? Depende. Se você gosta de histórias longas, não apenas falando de tamanho de livro, mas também de uma trama extensa com inúmeras idas e vindas, pode comprar. Você vai gostar. Entretanto, se você é como eu e fica cansado com enrolações, é melhor ver outras dicas disponíveis aqui mesmo no blog. Assista a série.

Clique aqui para ver opções de Kindles.

Resenha: “A Confraria dos Espadas” de Rubem Fonseca

41q4p4jphcl

4-estrelas

Título: A Confraria dos Espadas
Autor: Rubem Fonseca
Editora: Nova Fronteira
Ano: 2014 (primeira edição de 1998)

Nas resenhas do Gatilho, eu sempre começo com uma introdução especial que explica a minha relação com o autor ou com o livro (se houver). Acho que no caso do Rubem eu não preciso escrever muita coisa, vocês que acompanham o blog já sabem a minha opinião sobre ele. Li esse livro em março e boa parte dessa resenha estava nos arquivos do blog. Resolvi publicá-la agora.

Confraria é uma antologia de oito contos no melhor estilo do autor. Muitas pessoas, no Skoob, falam que é mais do mesmo, mas eu discordo. Na verdade, discordo completamente.

Todos os oito contos são bons, alguns deles são muito bons. Nas 144 páginas é possível achar muita criatividade na violência e nas situações de uma forma que foi praticamente impossível, pelo menos pra mim, parar de ler.

Meus destaques:

  • “Livre arbítrio”, “Anjo das Marquises”, “O Vendedor de Seguros”, “A Confraria dos Espadas” são de longe os melhores (e mais peculiares) contos do livro.
  • Diversos formatos compõem o livro: desde a prosa normal, outro apenas de diálogos e até um escrito como roteiro de teatro.
  • Inteligente. Como todos os livros do Rubem. Veja o conto “À maneira de Godard”.
  • Curto. Com apenas 144 páginas não dá tempo de enjoar.

Vale a pena comprar? Sou suspeito pra falar, mas SIM. Considero esse um ótimo livro de “transição” (aqueles livros/contos que “aliviam” sua cabeça depois de um romance normal).

Clique aqui para ver opções de Kindles.