Resenha: “O Sorriso da Hiena” de Gustavo Ávila

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Título: O Sorriso da Hiena
Autor: Gustavo Ávila
Editora: Verus Editora
Ano: 2017

Tenho o hábito de indicar livros para os meus amigos. Às vezes não apenas indico, como forço a leitura deles. Outras vezes, eu não indico mas acabo citando passagens interessantes do livro sem perceber (para mim, é o melhor tipo de indicação).

Acho que nas últimas semanas eu estive sendo aquele amigo que não vira o disco. E o responsável por isso é Gustavo Ávila e “O Sorriso da Hiena”.

Esse foi um dos poucos casos em que conheci o autor primeiro e depois a sua obra. Em seu site e redes sociais, descobri e acompanhei a sua (bem sucedida) saga para autopublicar o livro. o consequente contrato com a Verus Editora e também a compra dos direitos pela TV Globo. Sobre essa última parte eu fiquei especialmente animado, comentarei o motivo a seguir. Recomendo que você escute essa entrevista do autor no Livrocast enquanto lê esta resenha.

Abaixo, estão algumas observações que pude fazer durante a leitura:

  • É como assistir à uma série, com direito a cliffhangers, passagens de tempo e flashbacks muito interessantes. Por esse motivo eu fiquei animado com a compra dos direitos, afinal, se eles adaptarem vai ser uma série muito legal. As cenas (principalmente as de violência) são muito bem descritas.
  • Leitura rápida. E viciante.
  • Entretenimento com E maiúsculo. (E é importante que vocês saibam que eu não perco tempo lendo livros chatos. Ponto.)
  • Personagens complexos. Os três protagonistas (David, William e Artur) tem profundidade, inseguranças, forças e particularidades interessantes.
  • Inúmeras passagens boas. Meu livro tá cheio de post-its.
  • Mais que um livro policial. Os dilemas morais que o livro propoem te deixarão pensativo o tempo todo. O William é o personagem que mais lida com esses dilemas. No capítulo 12 ele faz uma coisa que, juro, eu não esperava.
  • Loucura. Depois de começar este livro, você corre o sério risco de se transformar no meme da Nazaré confusa porque não dá pra confiar em nada nem ninguém.
  • Provável continuação. O Gustavo diz no podcast que linkei acima que vai ter uma sequência e apesar da minha clara preferência por histórias fechadas, eu preciso de uma sequência para essa história. E a razão disso é…
  • … O FINAL. E que final, p* que pariu. Trezentos plot twists em menos de vinte páginas.

Vale a pena comprar? Só digo uma coisa: sim, vale. Aqui está o link para adquirir por um preço realmente justo na Amazon. E não esqueça de divulgar para os seus amigos e divulgar a literatura nacional. Conta pra gente o que achou, tá?

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Resenha: “Encruzilhada” de Lúcio Manfredi

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5-estrelas

Título: Encruzilhada
Autor: Lúcio Manfredi
Editora: Editora Draco
Ano: 2015

É no mínimo complicado fazer uma resenha de “Encruzilhada” sem soltar algum spoiler. Se eu não tivesse recebido um desses quando procurei resenhas, provavelmente teria tido uma experiência ainda melhor.

Recebi este ebook da Editora Draco (parceira do GATILHO) para análise e aqui vamos nós.

“Encruzilhada” é um daqueles livros que você não consegue soltar com facilidade. Eu andava bem relapso quanto às minhas leituras (tanto que achei que não fosse conseguir entregar a resenha no prazo), mas a obra de Manfredi me segurou, tentei escapar: não consegui.

Viciante. Confuso. Inteligente. Essas três palavras definem o que eu pensava durante a leitura. Não conhecia o autor Lúcio Manfredi, mas me encantei pelo estilo não-linear que, confesso, me deixava até um pouco tonto.

O livro é dividido em quatro partes, com uma infinidade de capítulos (mais de 40, pelo que me lembro). Eu amei esse formato pois, além de não deixar a leitura cansativa (cof, cof, Deuses Americanos) permitiu que o autor fizesse muitas mudanças inteligentes de tempo e narrador.

Por ser um livro pequeno (a versão impressa tem apenas 169 páginas), tive a boa impressão de que não tinha encheção de linguiça. Gosto de livros práticos, esse é um ótimo exemplo disso. Mesmo estando muito ocupado com trabalho, Exprom (evento de publicidade) e TCC, consegui terminar em nove dias.

Meus destaques:

  • Ambientação: a coisa que mais me marcou nesse livro foi a incrível capacidade de Manfredi descrever lugares. Desde a casa que a história se passa, até as ruas e bairros. Dica de exercício: enquanto lê, entre no Google Street View e passeie pelas ruas citadas pelo autor; eu, que nunca fui ao Rio, tive uma experiência bem imersiva ao fazer isso. Há, inclusive, uma sequência de ação (perseguição) após a posição 300 (Kindle) muito interessante.
  • Linguagem cinematográfica: um pensamento me acompanhou desde o começo da leitura: esse livro podia ser uma puta série de TV (não coincidentemente, Manfredi é roteirista). Destaque para posições 457 e 617.
  • Referências: ele fala de ciência, ficção, filosofia, música e até cita Jô Soares. Destaque para posições 653, 1046 e 1061.
  • Descrições geniais: aqueles trechos que você lê, relê e lê de novo só pra ter ter o prazer de ler um texto inteligente. Exemplos nas posições 970, 1162 e 1531 (esse é um capítulo metalinguístico DELICIOSO de ler).
  • Posição 1919: esse capítulo é extremamente criativo e ainda tem um plot twist.

Vale a pena comprar? ABSOLUTAMENTE SIM! Se você gosta de histórias interessantes, diferentes, com violência e com um “quê” de ficção científica, esse livro é pra você.

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Resenha: “Assombro” de Chuck Palahniuk

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Título: Assombro
Autor: Chuck Palahniuk
Editora: Leya
Ano: 2016 (o original foi publicado em 2005)

Comprei este livro ainda na pré-venda na Saraiva. Apesar de não ter tido a melhor experiência de compra da minha vida (a data de lançamento foi adiada quase cinco vezes e o livro demorou muito tempo pra chegar, mesmo com um valor de frete deveras caro comparado com o da Amazon), fiquei muito ansioso para começar a ler “Assombro” na época. Parte da minha ansiedade vinha do fato de eu já ler e reler na internet o conto “Vísceras” (no livro é chamado de “Tripas”).

Prometi a mim mesmo que o leria em janeiro, como livro principal (depois postarei sobre minha rotina de leitura e explicarei isso), mas acabei levando até hoje, oito de fevereiro, para terminar. Abaixo estão as minhas observações sobre essa obra.

Quem me conhece pessoalmente sabe o meu amor pelo Chuck Palahniuk. Sabe aquele autor que você lê absolutamente tudo que ele escreve? Até lista de supermercado, sabe? Pois é. Inclusive, estou devendo um textinho sobre ele (bem aos moldes do que escrevi para o Rubem Fonseca). Algo sobre o estilo de escrita dele me lembra o do Rubem, inclusive: só de bater o olho e ler um parágrafo eu já sei quem está escrevendo.

Formato do livro: Gosto de livros com formatos diferentes, até por ter passado muito tempo da minha vida lendo aquele mesmo formato arroz com feijão dos romances normais. Aqui, o Chuck alterna entre uma trama central, um “poema” e um conto narrado por um dos personagens. Tudo interligado. E a maneira que ele conseguiu fazer isso, sem furos aparentes e rebuscando as referências o tempo todo, só me deixou mais encantado com “Assombro”.

Se você ler com um pouco de atenção, não é difícil ver no livro uma sátira aos realities shows. Entretanto, de acordo com a Wikipédia, o Chuck disse que o livro é sobre a atual “batalha de credibilidade” já que, com a tecnologia, é muito fácil que qualquer um consiga publicar os seus trabalhos.

Tamanho: Mais de 500 páginas que assustam. Confesso. Em alguns pontos do livro, os mais (propositalmente) lentos, você tem a impressão de que não vai conseguir acabar. Daí vem o autor e te dá um tapa na cara e um soco no estômago pra te convencer a continuar.

Ritmo de leitura: O Palahniuk conesegue fazer algo que, na minha opinião, apenas os melhores autores conseguem: te fazem esquecer de tudo ao seu redor. Esse mergulho na trama é uma coisa muito positiva, principalmente pelas temáticas pesadas do livro. Ele mistura informações técnicas (ponto recorrente em todas as obras do autor), sentimentos e ações de uma forma magistral. Se ele ousasse deixar o leitor apenas na superficialidade, o texto provavelmente pareceria algo extremamente presunçoso. Mas não é.

Personagens: O livro tem cerca de 20 personagens na trama principal (não é relevante contar os personagens nos contos). 18 são pessoas supostamente escritoras que se oferecem para participar de um retiro de criatividade. As outras duas são a Sra. Clark e o Sr. Whittier, que são os únicos que escrevem mais de um conto. Aliás, não é possível sentir uma gota de empatia com nenhum desses loucos. Não há um só que eu tenha pensado “nossa, esse sim é plausível”. Todos são insanos. O que é maravilhoso.

Melhores partes: Como eu disse acima, uma parte que eu já adorava, mesmo antes de comprar o livro, era o conto escrito pelo personagem São Sem-Pança. Mas vários outros segmentos chamaram a minha atenção e vou listá-los abaixo. Meu livro está cheio de post-its com partes marcadas. Fico tentado a escrever diversas passagens aqui, mas não farei isso. Você precisa ler tudo dentro do contexto.

-Tripas (pag. 20); Êxodo (pag. 197); Ritual (pag. 256); Something’s Got to Give (pag. 398) e Fondue (pag. 416).

Vale a pena? Sim. Vale. Eu sou um pouco suspeito pra falar, visto que eu compraria tudo que este homem tenha escrito, mas é um livro que vale a pena ter. É pesado. É denso. É um livro que poucos terão estômago e paciência pra terminar. Boa sorte, amigx.

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Resenha: “Histórias de Amor” de Rubem Fonseca

 

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Título: Histórias de Amor
Autor: Rubem Fonseca
Editora: Nova Fronteira
Ano: 2012 (a primeira edição é de 1997)

Quem conversar 10 minutos comigo vai perceber a rapidez com que eu insiro Rubem Fonseca nas minhas conversas. Já até falei sobre ele aqui no blog. Talvez por eu gostar tanto dos livros dele e por ter lido tantos em um ano (este é o nono até agora), estou ficando um pouco mais “exigente”. Acho que essa é a palavra errada, pois eu leria qualquer coisa do Fonseca e é praticamente impossível que eu ache algo ruim.

Agora sobre Histórias de Amor.

Esse é um daqueles títulos irônicos que, se eu já não conhecesse o estilo do Fonseca, até acreditaria. Farei agora breves comentários sobre os melhores contos. 
“Betsy”: logo no primeiro conto já entendemos que o amor anunciado no título não precisa ser necessariamente de humano pra humano. Pra mim, é algo novo vindo do autor. Esse é o menor conto de todos e o meu preferido deste livro. Me afetou pessoalmente.

“Cidade de Deus” é incrível. É um daqueles contos que se alguém me mostrasse sem dizer que era do Fonseca, eu saberia na mesma hora. O que mais me divertiu foi a seguinte passagem:

Antes de dormir ela perguntou, “você fez aquilo que eu pedi?”
“Faço o que prometo, amorzinho. Mandei meu pessoal pegar o menino quando ele ia para o colégio e levar para a Cidade de Deus. De madrugada quebraram os braços, e as pernas do moleque, estrangularam, cortaram ele todo e depois jogaram na porta da casa da mãe. Esquece essa merda, não quero mais ouvir falar nesse assunto”, disse Zinho.

“Família”, “O anjo da guarda”, “Viagem de núpcias” e “O amor de Jesus no coração” são ótimos, com todas as escatologias e finais inesperados que o autor utiliza de maneira tão característica. 

O único conto que considerei menos interessante foi “Carpe Diem”. É o mais longo do livro, mas também o mais repetitivo. É repleto de referências de literatura e cinema, mas nem isso me fez gostar dele.

Li em menos de um dia no Kindle, mas a leitura rápida já é algo que podemos esperar do autor. De qualquer forma, “Histórias de Amor” é um bom livro. Talvez não para quem queira começar a ler a obra do Rubem Fonseca, mas para os já iniciados na literatura do mesmo.

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