Resenha: “Deuses Americanos” de Neil Gaiman

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Título: Deuses Americanos
Autor: Neil Gaiman
Editora: Conrad
Ano: 2011 (há uma nova edição publicada pela Íntrínseca recentemente)

Difícil.

Foi difícil terminar de ler este livro. Não sei nem por onde começar.

É fácil, existe um truque para aguentar, ou você descobre ou morre. (p. 346)

Comecei a ler este livro em março. Ou seja, passei quase seis meses lendo “Deuses Americanos”. Claro que li vários livros paralelamente a esse (pra fazer a boa e velha leitura de capítulos alternados).

Eu tinha uma boa ligação com o Neil Gaiman, confesso. Talvez por esse motivo eu tenha me forçado a continuar a leitura ao invés de simplesmente abandonar e ler, vocês sabem… Livros mais legais. Gaiman deu uma virada nas minhas leituras adolescentes quando devorei “Coisas Frágeis 1 e 2” (e, claro, obriguei todos os meus amigos da época a lerem). Eu também era apaixonado por “Stardust – O Mistério da Estrela” (assisti o filme e li o livro inúmeras vezes; inclusive, ainda assisto quando passa na Globo), que fique registrado. Não vou comentar “O Oceano no Fim do Caminho” pois achei decepcionante em vários aspectos.

Cansado. Foi assim que fiquei com a leitura desse livro. Capítulos enormes e cheios de enrolação davam a impressão que eu não estava andando na leitura. Achei que fosse ficar mais animado com o lançamento da série; infelizmente, apesar de ser belíssima, não ajudou muito nesse quesito.

Claro que o livro tem coisas boas, afinal é Neil Gaiman. O cara sabe descrever coisas espetaculares de uma maneira simples e ao mesmo tempo imersiva. O capítulo 15, em que Shadow fica preso a uma árvore, é um exemplo disso. Nos capítulos em que Gaiman escreve histórias fora do núcleo Shadow/Wednesday é possível ver como o livro é profundo e bom.

Meus destaques:

  • Como eu disse anteriormente, Neil Gaiman sabe descrever. Isso é uma faca de dois gumes, na prática. Pode ser muito imersivo ou muito cansativo.
  • O livro é uma viagem. Sério. Os personagens nunca ficam parados no mesmo lugar por muito tempo. É interessante conhecer coisas novas através de livros.
  • Reflexões. Sobre vida, morte, fé, velhice, hábitos modernos, relacionamentos, ética etc.
  • É uma novela. Muita coisa acontece. Muita. Muita. Acho que é humanamente impossível lembrar de tudo quando se chega no final do livro.
  • Com toda certeza as minhas partes preferidas de “Deuses Americanos” são os flashbacks ou cenas paralelas. Infelizmente não são muitas.
  • Shadow é um protagonista meio irritante. Só lendo pra saber.
  • O final é satisfatório. Não há nenhum plot twist chocante (o que eu esperava muio, juro), mas é ok. Descobrimos algumas coisas sobre Wednesday, mas nada demais.

Vale a pena comprar? Depende. Se você gosta de histórias longas, não apenas falando de tamanho de livro, mas também de uma trama extensa com inúmeras idas e vindas, pode comprar. Você vai gostar. Entretanto, se você é como eu e fica cansado com enrolações, é melhor ver outras dicas disponíveis aqui mesmo no blog. Assista a série.

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Resenha: “A Confraria dos Espadas” de Rubem Fonseca

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Título: A Confraria dos Espadas
Autor: Rubem Fonseca
Editora: Nova Fronteira
Ano: 2014 (primeira edição de 1998)

Nas resenhas do Gatilho, eu sempre começo com uma introdução especial que explica a minha relação com o autor ou com o livro (se houver). Acho que no caso do Rubem eu não preciso escrever muita coisa, vocês que acompanham o blog já sabem a minha opinião sobre ele. Li esse livro em março e boa parte dessa resenha estava nos arquivos do blog. Resolvi publicá-la agora.

Confraria é uma antologia de oito contos no melhor estilo do autor. Muitas pessoas, no Skoob, falam que é mais do mesmo, mas eu discordo. Na verdade, discordo completamente.

Todos os oito contos são bons, alguns deles são muito bons. Nas 144 páginas é possível achar muita criatividade na violência e nas situações de uma forma que foi praticamente impossível, pelo menos pra mim, parar de ler.

Meus destaques:

  • “Livre arbítrio”, “Anjo das Marquises”, “O Vendedor de Seguros”, “A Confraria dos Espadas” são de longe os melhores (e mais peculiares) contos do livro.
  • Diversos formatos compõem o livro: desde a prosa normal, outro apenas de diálogos e até um escrito como roteiro de teatro.
  • Inteligente. Como todos os livros do Rubem. Veja o conto “À maneira de Godard”.
  • Curto. Com apenas 144 páginas não dá tempo de enjoar.

Vale a pena comprar? Sou suspeito pra falar, mas SIM. Considero esse um ótimo livro de “transição” (aqueles livros/contos que “aliviam” sua cabeça depois de um romance normal).

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Resenha: “O Sorriso da Hiena” de Gustavo Ávila

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Título: O Sorriso da Hiena
Autor: Gustavo Ávila
Editora: Verus Editora
Ano: 2017

Tenho o hábito de indicar livros para os meus amigos. Às vezes não apenas indico, como forço a leitura deles. Outras vezes, eu não indico mas acabo citando passagens interessantes do livro sem perceber (para mim, é o melhor tipo de indicação).

Acho que nas últimas semanas eu estive sendo aquele amigo que não vira o disco. E o responsável por isso é Gustavo Ávila e “O Sorriso da Hiena”.

Esse foi um dos poucos casos em que conheci o autor primeiro e depois a sua obra. Em seu site e redes sociais, descobri e acompanhei a sua (bem sucedida) saga para autopublicar o livro. o consequente contrato com a Verus Editora e também a compra dos direitos pela TV Globo. Sobre essa última parte eu fiquei especialmente animado, comentarei o motivo a seguir. Recomendo que você escute essa entrevista do autor no Livrocast enquanto lê esta resenha.

Abaixo, estão algumas observações que pude fazer durante a leitura:

  • É como assistir à uma série, com direito a cliffhangers, passagens de tempo e flashbacks muito interessantes. Por esse motivo eu fiquei animado com a compra dos direitos, afinal, se eles adaptarem vai ser uma série muito legal. As cenas (principalmente as de violência) são muito bem descritas.
  • Leitura rápida. E viciante.
  • Entretenimento com E maiúsculo. (E é importante que vocês saibam que eu não perco tempo lendo livros chatos. Ponto.)
  • Personagens complexos. Os três protagonistas (David, William e Artur) tem profundidade, inseguranças, forças e particularidades interessantes.
  • Inúmeras passagens boas. Meu livro tá cheio de post-its.
  • Mais que um livro policial. Os dilemas morais que o livro propoem te deixarão pensativo o tempo todo. O William é o personagem que mais lida com esses dilemas. No capítulo 12 ele faz uma coisa que, juro, eu não esperava.
  • Loucura. Depois de começar este livro, você corre o sério risco de se transformar no meme da Nazaré confusa porque não dá pra confiar em nada nem ninguém.
  • Provável continuação. O Gustavo diz no podcast que linkei acima que vai ter uma sequência e apesar da minha clara preferência por histórias fechadas, eu preciso de uma sequência para essa história. E a razão disso é…
  • … O FINAL. E que final, p* que pariu. Trezentos plot twists em menos de vinte páginas.

Vale a pena comprar? Só digo uma coisa: sim, vale. Aqui está o link para adquirir por um preço realmente justo na Amazon. E não esqueça de divulgar para os seus amigos e divulgar a literatura nacional. Conta pra gente o que achou, tá?

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Resenha:”O Vilarejo” de Raphael Montes

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Título: O Vilarejo
Autor: Raphael Montes
Editora: Suma de Letras
Ano: 2015

Meu único conhecimento sobre o autor era de uma chamada de lançamento do livro “Jantar Secreto” (que comprarei em breve, sem dúvidas). Quando comecei a ler O Vilarejo, percebi que não era um livro comum. Tinha algo de especial bem ali na minha frente. Isso mudou o jeito que eu li (devorei?) esse livro. Dei até coraçãozinho no Skoob, pra você ter uma ideia.

Formato do livro: Ao criar uma antologia sobre um lugar, o tal vilarejo, Raphael Montes foi inteligente. Ele focou em pontos de vista diferentes, claro, mas também usou uma organização não-linear cronologicamente. Ou seja, as coisas não acontecem na ordem que de fato aconteceram.

No começo do livro, “o tradutor” avisa que não há problema em ler os contos em uma ordem aleatória. De fato isso é possível, mas a ordem em que os contos foram organizados parece perfeita. Acredito que a intenção do autor tenha sido exatamente provocar o leitor a montar a história por si só, como um quebra-cabeça.

É perfeitamente possível, ao fim do livro, montar uma ordem em que as historias poderiam ter acontecido. O fato do autor não ter feito esse trabalho pelo leitor demonstra que ele não subestima a nossa inteligência. Ponto pra ele.

Tamanho: essa foi uma das pouquíssimas vezes em que achei um livro curto demais. Só 96 páginas. Talvez eu tenha gostado tanto que esperei que ao invés de sete contos, houvesse uns dez no mínimo. Mas isso é a minha opinião como leitor apaixonado pela escrita do livro. Como resenhista, mais um ponto pro autor: ele soube exatamente o quanto e do que a história precisava. Perfeito conhecimento da própria obra.

Ritmo de leitura: Surpreendentemente leve. Sério. No começo, quando aqueles nomes estranhos começam a aparecer, meu primeiro pensamento foi o mesmo de A Desumanização: não vou conseguir ler rápido. Engano meu. Devorei tudo no mesmo dia.

Personagens: é importante lembrar que o personagem principal deste livro é o próprio vilarejo, como um todo. As falhas, as loucuras e as corrupções dos moradores são o motor para que tudo aconteça, o tempo todo. Me lembrou em parte os moradores da vila em que A Desumanização é retratada.

Isso é um ponto forte.

Melhores partes: Pensei em destacar e comentar cada um dos sete contos, mas isso ia deixar essa resenha cansativa. E havia o óbvio perigo de dar spoilers da história. Achei melhor perguntar: quais os seus favoritos? Pode comentar aqui nesse post.

Vale a pena comprar? Acho que se eu pudesse pegar o seu cartão de crédito e fazer o pedido, faria agora mesmo. Se você gosta de literatura de adulto, sem bullshit, com objetividade e uma história excelente: compre este livro. Raphael Montes fez a sábia escolha de não subestimar a inteligência do leitor.

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Resenha: “Uma Segunda Opinião” de Fernando Santos Oliveira

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Título: Uma Segunda Opinião
Autor: Fernando Santos Oliveira
Editora: Draco (conheça mais sobre a editora)
Ano: 2013

Essa é apenas a primeira de uma série de resenhas que farei sobre contos e outros materiais curtos que adquiri para o meu Kindle. Esse, curiosamente, foi o que baixei por último, mas decidi colocá-lo na frente da fila (sabe-se lá por que… coisa de leitor).

Formato do conto: A história é sobre uma menina que sente desejo de vingança por colegas de escola. Ponto. Essa afirmativa básica foi uma das coisas que mais me deixou interessado nesse conto. Ele diz a que veio e permanece até o fim com esse mesmo conceito. Textos que mudam o tom para criar subtramas geralmente me deixam desconfortável. Acredito que essa é uma das principais qualidades de contos em geral (e o que me faz preferir esse formato ao romance tradicional).

Tamanho: Apenas 21 páginas.

Ritmo de leitura: “Uma Segunda Opinião” é um conto interessante. Ele se poupa de detalhes inúteis, é direto e tem um formato muito simples. Algumas partes podem ser destacadas, como as descrições de lugares e situações. O único problema é que os diálogos são… pouco-realistas. Tudo parece meio plástico demais.

Talvez não seja precipitado afirmar que suas falhas (não-verossimilhança) vêm diretamente de suas qualidades (simplicidade de texto e objetividade). Não vou me prolongar nesse aspecto.

Sobre o final: interessante. Confesso que estava aguardando algo muito mais espalhafatoso (demônios, espíritos etc). Gostei bastante de como o autor resolveu a história.

Personagens: Como eu disse acima, os diálogos são pouco interessantes. Isso fez com que eu não conseguisse sentir simpatia pelos personagens. Minha opinião sobre as ações dos personagens, entretanto, é muito positiva.

Vale a pena comprar? Sim! O conto está disponível por um preço muito baixo, praticamente simbólico (na data em que estou postando essa resenha, custa apenas R$ 0,99), na Amazon. É uma leitura rápida, perfeita para ler entre o final de um livro e o começo de outro, para dar aquela espairecida.

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Resenha: “Assombro” de Chuck Palahniuk

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Título: Assombro
Autor: Chuck Palahniuk
Editora: Leya
Ano: 2016 (o original foi publicado em 2005)

Comprei este livro ainda na pré-venda na Saraiva. Apesar de não ter tido a melhor experiência de compra da minha vida (a data de lançamento foi adiada quase cinco vezes e o livro demorou muito tempo pra chegar, mesmo com um valor de frete deveras caro comparado com o da Amazon), fiquei muito ansioso para começar a ler “Assombro” na época. Parte da minha ansiedade vinha do fato de eu já ler e reler na internet o conto “Vísceras” (no livro é chamado de “Tripas”).

Prometi a mim mesmo que o leria em janeiro, como livro principal (depois postarei sobre minha rotina de leitura e explicarei isso), mas acabei levando até hoje, oito de fevereiro, para terminar. Abaixo estão as minhas observações sobre essa obra.

Quem me conhece pessoalmente sabe o meu amor pelo Chuck Palahniuk. Sabe aquele autor que você lê absolutamente tudo que ele escreve? Até lista de supermercado, sabe? Pois é. Inclusive, estou devendo um textinho sobre ele (bem aos moldes do que escrevi para o Rubem Fonseca). Algo sobre o estilo de escrita dele me lembra o do Rubem, inclusive: só de bater o olho e ler um parágrafo eu já sei quem está escrevendo.

Formato do livro: Gosto de livros com formatos diferentes, até por ter passado muito tempo da minha vida lendo aquele mesmo formato arroz com feijão dos romances normais. Aqui, o Chuck alterna entre uma trama central, um “poema” e um conto narrado por um dos personagens. Tudo interligado. E a maneira que ele conseguiu fazer isso, sem furos aparentes e rebuscando as referências o tempo todo, só me deixou mais encantado com “Assombro”.

Se você ler com um pouco de atenção, não é difícil ver no livro uma sátira aos realities shows. Entretanto, de acordo com a Wikipédia, o Chuck disse que o livro é sobre a atual “batalha de credibilidade” já que, com a tecnologia, é muito fácil que qualquer um consiga publicar os seus trabalhos.

Tamanho: Mais de 500 páginas que assustam. Confesso. Em alguns pontos do livro, os mais (propositalmente) lentos, você tem a impressão de que não vai conseguir acabar. Daí vem o autor e te dá um tapa na cara e um soco no estômago pra te convencer a continuar.

Ritmo de leitura: O Palahniuk conesegue fazer algo que, na minha opinião, apenas os melhores autores conseguem: te fazem esquecer de tudo ao seu redor. Esse mergulho na trama é uma coisa muito positiva, principalmente pelas temáticas pesadas do livro. Ele mistura informações técnicas (ponto recorrente em todas as obras do autor), sentimentos e ações de uma forma magistral. Se ele ousasse deixar o leitor apenas na superficialidade, o texto provavelmente pareceria algo extremamente presunçoso. Mas não é.

Personagens: O livro tem cerca de 20 personagens na trama principal (não é relevante contar os personagens nos contos). 18 são pessoas supostamente escritoras que se oferecem para participar de um retiro de criatividade. As outras duas são a Sra. Clark e o Sr. Whittier, que são os únicos que escrevem mais de um conto. Aliás, não é possível sentir uma gota de empatia com nenhum desses loucos. Não há um só que eu tenha pensado “nossa, esse sim é plausível”. Todos são insanos. O que é maravilhoso.

Melhores partes: Como eu disse acima, uma parte que eu já adorava, mesmo antes de comprar o livro, era o conto escrito pelo personagem São Sem-Pança. Mas vários outros segmentos chamaram a minha atenção e vou listá-los abaixo. Meu livro está cheio de post-its com partes marcadas. Fico tentado a escrever diversas passagens aqui, mas não farei isso. Você precisa ler tudo dentro do contexto.

-Tripas (pag. 20); Êxodo (pag. 197); Ritual (pag. 256); Something’s Got to Give (pag. 398) e Fondue (pag. 416).

Vale a pena? Sim. Vale. Eu sou um pouco suspeito pra falar, visto que eu compraria tudo que este homem tenha escrito, mas é um livro que vale a pena ter. É pesado. É denso. É um livro que poucos terão estômago e paciência pra terminar. Boa sorte, amigx.

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